Setor moveleiro de SC prepara metas para 2011 e pede incentivos fiscais
O setor moveleiro de SC se organiza para começar o ano que vem com metas bem traçadas. Uma das prioridades, estabelecidas em plano estratégico encomendado do Sebrae, será fortalecer a feira Mercomóveis, realizada em Chapecó.
Outro projeto que entrará em vigor é o "Oficina de Design para o Oeste de SC", em parceria com o Ministério da Integração Nacional, Sebrae, Senai, Associação dos Moveleiros do Oeste de Santa Catarina (Amoesc) e o Sindicato das Indústrias Madeireiras, Moveleiras e Similares do Vale do Uruguai (Simovale).
De acordo com o presidente das duas entidades que representam o setor, Amoesc e Simovale, Osni Carlos Verona, alunos e profissionais da área terão o acompanhamento de Marcelo Rosenbaum na busca do melhor para o setor, com os móveis "cara do oeste". "Rosenbaum vai assinar esses trabalhos e formar profissionais com visão para o futuro, sem esquecer a sustentabilidade da região", explica.
Apesar das fracas vendas em setembro, principalmente por causa das eleições, 2010 deve terminar aquecido. Segundo o presidente, o último trimestre deve registrar um aumento de 8% a 10% nas vendas.
Um dos motivos seria a migração de 40 milhões de pessoas da classe D para a C e a B. "Esses consumidores não querem só produtos baratos e sem qualidade. Eles querem mais opções, com conforto, durabilidade e design arrojado", afirma Verona.
Para o presidente, o setor está evoluindo muito e buscando produzir para todas as partes do mundo. "A região Oeste está cada vez mais preparada para enfrentar a concorrência em tudo: preço, qualidade de matéria prima e design de bom gosto". A integração com as universidades, segundo ele, tem contribuído para essa melhoria. Os profissionais mais preparados levam às fábricas projetos de móveis de alto padrão de acabamento, com ferragens de última geração.
As entidades que Verona preside reúnem mais de 650 empresas. O setor industrial moveleiro é o primeiro em número de empresas do Oeste de SC, o terceiro em número de empregos e o quarto na economia regional. Além disso, sustenta 7 mil empregos diretos, 15 mil empregos indiretos e gera mais de 20 milhões de dólares em exportações.
A feira dos móveis
Sobre a Mercomóveis, feira que acontece anualmente em Chapecó, Verona destaca a importância da participação das empresas. "É o clímax desse encontro entre o consumidor e fabricante. A Mercomóveis não é só negócio; é a explosão do setor rumo à alta tecnologia na arte de fabricar móveis que atenda os mais diversos tipos de clientes."
Verona defende a promoção de rodadas internacionais de negócios também fora da feira Mercomóveis, e que seja realizada uma feira de menor porte para os micro e pequenos fabricantes regionais.
Outro projeto que está em pauta é a realização de missões internacionais, visitando feiras de na Itália, China, EUA, Alemanha e outros países.
Desafios
Depois de prejudicadas pela crise financeira mundial de 2008 e 2009, as exportações do setor moveleiro voltam a sofrer com a valorização do dólar. Para Verona, a diferença cambial é um das grandes dificuldades encontradas pelos empresários.
"Mas, o que resolve, é uma política que diminua o "custo Brasil". Os encargos e impostos muito elevados são piores que a desvalorização do dólar perante o real. A maioria das nossas empresas é comprada pelos importadores, que trazem os produtos com seu design definido. Dessa forma, produzimos commodities que não agrega valor", explica o presidente.
Para ele, o governo deve incentivar os fabricantes de móveis protegendo o mercado brasileiro de produtos importados da China e realizando uma reforma tributaria fiscal. "Deve também criar indicadores para regulamentar o seguro desemprego em regiões onde há muitas vagas como, por exemplo, em Chapecó, onde temos 5 mil vagas em aberto e temos 9mil pessoas em seguro desemprego", completa.
As medidas fiscais incluiriam o aumento do limite de faturamento das empresas enquadradas no simples estadual de R$ 2,4 milhões para R$ 5 milhões. "O governo federal deve isentar as empresa de impostos sobre a folha de pagamento, pois o setor de transformação é o que mais emprega mão de obra não qualificada", afirma Verona.
"Do governo do Estado queremos que desenvolva Câmaras Setoriais para ouvir todos os segmentos produtivos, desenvolver os pequenos e fortalecer os grandes para exportar cada vez mais. Também gostaríamos que tivéssemos incentivos fiscais para grandes empresas se instalarem no Oeste de SC, onde a topografia é elevada e os custos de logística até nossos portos são elevados, e que o combustível fosse subsidiado para ficarmos mais competitivos na produção", conclui.
Fonte: www.economiasc.com.br - 05/11/2010








