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Setor moveleiro do Oeste de SC apresenta expansão

A Mercomóveis 2010 revela que a indústria de móveis do oeste retoma o crescimento e avança nos mercados interno e externo com iniciativas concretas como inovações no design, atualização tecnológica, capacitação para exportação, rodada internacional de negócios, pacto estratégico de desenvolvimento e criação de linha de “móveis pop”.

A evolução tecnológica, conceitual e mercadológica da indústria de móveis do oeste catarinense é exibida, nesta semana, na Mercomóveis 2010, a feira de móveis que encerra sexta-feira, 27, no parque Tancredo Neves, em Chapecó, reunindo 150 expositores com expectativa de negócios da ordem de 150 milhões de reais e uma visitação de 15.000 compradores.

O pólo moveleiro do oeste é formado, atualmente, por 300 unidades fabris instaladas em 86 municípios que sustentam 12.000 empregos diretos e obtêm uma receita operacional bruta de aproximadamente 1 bilhão de reais por ano. Metade dessa produção é vendida nas regiões sul e sudeste do país, 10% destina-se a exportação e o restante é absorvido em diferentes Estados brasileiros, informa o gestor do polo, Arildo Jacóbus. A crise de 2008/2009 levou 80 indústrias moveleiras ao fechamento. Nesse período, quase 14.000 vagas foram ceifadas em todo o território barriga-verde, somente no setor moveleiro, de acordo com o Ministério do Trabalho.

“A Mercomóveis está oportunizando uma ampla avaliação e tomada de decisões pelas instituições do setor moveleiro”, assinalou o presidente da feira, empresário Adir Kist. Na solenidade de abertura da Mercomóveis, o Ministério da Integração Nacional formalizou um inédito protocolo de cooperação técnica com o Sebrae/SC. O objetivo é a concepção e implementação de um pacto estratégico de desenvolvimento do setor moveleiro do oeste de Santa Catarina, voltado para a articulação de atores e elaboração de diagnósticos e proposições de aproveitamento do potencial econômico deste setor. “Unificaremos os diferentes planos estratégicos das instituições na busca de uma identidade regional para a produção de móveis”, resumiu o diretor técnico do Sebrae/SC, Anacleto Ângelo Ortigara.

Historicamente, o Sebrae de Santa Catarina tem sido o grande parceiro, animador e financiador das principais ações de requalificação e modernização da vasta cadeia produtiva do setor madeira/móveis de Santa Catarina e, em especial, do oeste catarinense. Uma das ações desenvolvidas pelo Sebrae às empresas expositoras é a avaliação do potencial exportador e inovação tecnológica. Outra ação é capacitação “planejando para internacionalizar”, oferecida aos expositores e empresários participantes da Rodada Internacional.

Durante a Mercomóveis, Fiesc, Abimóvel e Sebrae coordenam a rodada internacional (reuniões de curta duração para aproximação de empresas com importadores) e Encontros Empresariais (reunirão empresários para formação de redes de relacionamentos). Além disso, no espaço do Sebrae/SC na Mercomóveis, três consultores prestam atendimento gratuito aos expositores e visitantes.

Em Santa Catarina operam 2.000 indústrias de móveis que empregam 26.000 trabalhadores. Haviam 37.000 empregados em 2005, mas, também, em razão da crise de 2008/2009, o número de postos de trabalho foi reduzido em 30%. Santa Catarina é o maior exportador de móveis do país, com divisas de 260 milhões de dólares em 2009 ou 31% da exportação brasileira no período. O oeste, porém, tem pequena participação no comércio exterior (10%), embora crescente presença no mercado doméstico. São Bento do Sul e Rio Negrinho são os municípios com maior concentração de empresas moveleiras e absoluta hegemonia nas exportações. Os maiores compradores são a França (60 milhões de dólares), EUA (49 milhões de dólares) e Alemanha (30 milhões de dólares).

Para neutralizar as perdas das exportações, os moveleiros se voltaram ao mercado interno que cresceu 5,20% em 2009 e 25,34% no período janeiro/junho de 2010.

EVOLUÇÃO & SUPERAÇÃO


O polo moveleiro do oeste nasceu em 2002, mas foi em 2004 e 2005 que, com as missões empresariais para as feiras internacionais, organizadas pelas entidades do setor (Amoesc e Simovale) com apoio do Sebrae, que começou a surgir uma “marca do oeste”. As feiras europeias fizeram os moveleiros despertarem para a importância da evolução do design. Dessa iniciativa surgiu o Salão de Design como evento paralelo à Mercomóveis, realizado em parceria com o Senai e a Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc).

O Salão difunde as novas tecnologias e os novos materiais, atualizando profissionais e empresas da indústria moveleira, visando elevar a qualidade e aumentar a competitividade. O gestor do polo moveleiro, Arildo Jacóbus, lembra que a modernização acelerada da movelaria oestina iniciou em 2004, quando abandonou-se a linha de móveis tubulares e de chapas pesadas em favor da leveza de cores e formas e da versatilidade de materiais mais modernos, como chapas MDF e melanina. Hoje, 80% do mix das indústrias oestinas é formado por dormitórios, salas e estofados.

Um novo choque de modernização está a caminho. A secretária de programas regionais do Ministério da Integração Nacional, Márcia Sartori Damo, confirmou para outubro a formalização de projeto para criação de uma linha de “móveis pop” para produção em larga escala. Essa linha – que será popular, mas com alta qualidade de design – será assinada por um dos melhores designers de móveis do país, o arquiteto Marcelo Rosenbaum.

“Será uma das mais arrojadas ações para fortalecer o pólo moveleiro ”, exulta o presidente da Associação dos Moveleiros do Oeste de SC (Amoesc), Osni Verona. Esse projeto será implementado pela Amoesc, Sebrae, Ministério da Integração Nacional, o Fórum da Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul, Instituto Saga e o próprio Rosenbaum. Embora envolvido com frequência em projetos de alto custo, o designer acalenta há muito tempo o desejo de criar uma linha pop que beneficie grandes faixas de consumidores. Marcelo Rosenbaum quer “democratizar o luxo” com produtos bonitos e acessíveis.

O diretor Anacleto Ortigara mostra que “esse conjunto de ações, projetos e iniciativas é que faz a indústria moveleira de Santa Catarina superar os efeitos negativos da crise financeira internacional de 2008/2009”.

Fonte: MB Comunicação Empresarial/Organizacional / www.defato.inf.br - 27/8/2010

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