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Um gigante de difícil trato - 24/3/2006

Reportagem: Sônia Bridi (Pequim)

Há quase dois anos, quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva foi à China com 400 empresários na comitiva, os chineses tinham acabado de ascender à terceira posição no ranking dos nossos parceiros comerciais. As palavras eram: parceria estratégica, projetos conjuntos, investimentos, intercomplementaridade.

"É chegada a hora de consolidarmos em definitivo uma parceria estratégica entre nossos países. Queremos dar um salto qualitativo nessa relação estratégica", declarou o presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Mas um contencioso histórico da China com o Japão foi o primeiro grande sinal de que os novos amigos pesam menos que velhas inimizades. Barrando o Japão no Conselho de Segurança da ONU, a China acabou com o sonho brasileiro de chegar lá.

Ainda em 2004, quando o presidente Hu Jintao foi ao Brasil, a visita foi marcada pelo reconhecimento da China como economia de mercado. Em troca, os chineses abririam mercado para a carne brasileira. Mas, até agora, só se come bife australiano em Pequim. E o frango ainda passa por Hong Kong a caminho do país.

Os esperados investimentos em infra-estrutura ainda não começaram a chegar. O Brasil descobriu que, mais do que alianças, os chineses defendem os interesses da China e jogam pesado para tentar baixar os preços dos produtos que importam, como soja e ferro, por exemplo. Eles também tentam baratear os produtos que exportam.

Turismo e negócios aumentaram o fluxo de pessoas entre os países. Dos consulados do Brasil, o de Pequim é o segundo em concessão de vistos. A embaixada está em obras de ampliação. O número de diplomatas recebendo o vice-presidente José Alencar é o dobro dos que estavam lotados quando veio o presidente Lula.

Se o relacionamento com a China não é tão simples quanto parecia há dois anos, isso não é menos importante. O superávit comercial que o Brasil tem com a China está diminuindo, mas o Brasil ainda é um dos poucos países que consegue ter superávit comercial com a China.

Hoje, ninguém duvida que a China conquistou o lugar de uma grande potência. E a aproximação, mesmo que com altos e baixos, é fundamental para o Brasil.

A visita do vice-presidente retraçou muitos dos caminhos percorridos pelo presidente Lula e discutiu negócios emperrados. Nesta sexta-feira, junto com a vice-primeira-ministra da China, Wu Yi, mulher forte no governo, implantou uma comissão de alto nível para discutir assuntos de interesse comum. Nada com resultados imediatos, mas um foro que facilita a conversa entre duas burocracias lentas.

“Em uma reunião dessa, não necessariamente sai negócios realizados. Sai a base para que os negócios se realizem. E já estamos assistindo a vários casos de parcerias concretas que já se transformaram em joint ventures, várias delas”, afirmou o vice-presidente da República, José Alencar.

À medida que a parceria estratégica amadurece, pode ajudar no crescimento dos dois países.


Fonte: http://bomdiabrasil.globo.com/Jornalismo/BDBR/0,,AA1163815-3682,00.html - Acesso em 24/3/2006

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