Varejo: Prestações Esticadas
Com inflação sob controle, redes de lojas goianas parcelam eletrodomésticos em até 36 meses
Com a inflação sob controle, o setor varejista estica os prazos de pagamento
para aumentar as vendas. Segundo a ShoppingBrasil, empresa especializada em
pesquisas de ofertas do comércio, os planos de pagamento de longo prazo, isto é,
cujo parcelamento é superior a 13 prestações, respondem hoje por 45% das ofertas
anunciadas pelas redes varejistas no País.
De acordo com o levantamento,
o crediário de nove a 12 prestações também representa 45% das ofertas. O recuo
das taxas bases de juros também é um motivo dessa movimentação. O financiamento
de um carro, que, tradicionalmente, chegava a até dois anos (24 meses) nas
concessionárias, pode levar até seis anos (72 meses). O consumidor tem ainda a
opção de pagar uma geladeira ou uma máquina de lavar em três anos (36
meses).
Com o alongamento dos prazos de financiamento de bens, o
consumidor compromete uma parcela menor da renda e, com isso, tem mais fôlego
para gastar com outros produtos. Motivo primordial para o passador profissional
Fabrício Abreu Silva, 24, que comprou um carrinho de bebê em 12 vezes.
“Só em muitas prestações foi possível comprar o carrinho para meu filho,
que chegará no próximo mês”, comenta. Ele explica que não gosta de financiar, em
muitas vezes, os produtos adquiridos pela família, mas não vê outra forma de
comprar itens necessários, já que não pode pagar a vista.
E este é o
grande chamariz de vendas. As empresas sabem que seus clientes não têm ou não
conseguem juntar grandes valores de uma só vez. Por isso, apostam nos prazos.
São eletrodomésticos, computadores, carros e motocicletas divididos em
prestações a perder de vista.
“Este tipo de negociação é tão promissor
que já nem anuncio mais os preços, meu foco agora são os prazos”, comemora o
supervisor de vendas da concessionária Cevel, Marcelo Antônio de Souza. Segundo
ele, a loja calcula que 60% das vendas são feitas com prestações de 60 meses.
Mas podem estender-se a até 72 vezes. Para Marcelo, esse tipo de financiamento
ainda é novo no mercado, mas acredita ser a única forma de o consumidor realizar
sonhos mais caros.
Ou então comprar objetos de desejo não tão valiosos,
mas quase impossíveis para a população de classes C,D e E. Por exemplo, um DVD,
que nas lojas Mig pode ser adquirido por R$ 9,90 em 36 vezes.
Anos
– A rede é a primeira do segmento a oferecer móveis e eletrodomésticos
divididos em até três anos. “É a oportunidade de atrair consumidores de baixo
poder aquisitivo”, comenta o gerente de loja Orlando Matias. As vendas são
feitas por meio de financeiras a juros de mercado. Segundo o gerente, em uma
semana de anúncios da nova modalidade de crédito, as vendas aumentaram 30%, em
comparação à semana anterior.
“Quando o cliente vê o valor das
prestações, percebe que pode comprar outros itens ou um mais caro”, exemplifica.
Ele explica que, para este público, o risco de inadimplência também é menor.
Segundo o gerente, a época para o lançamento do novo estilo de crediário não foi
escolhida aleatoriamente. Serve também para aquecer as vendas em meses
considerados fracos.
Bancos – A idéia de dividir móveis e
eletrodomésticos em muitas prestações surgiu a partir do financiamento de
automóveis. Mas os bancos também entraram na nova modalidade. Existem
instituições financeiras que fazem campanhas de prazos de até 72 meses para
aquisição de algum bem. Crédito que, até o ano passado, não ultrapassava os 60
meses.
São financiamentos para móveis, carros, eletrodomésticos e até
material de construção. Só o Bradesco, por exemplo, elevou os prazos de
financiamento este ano de 12 para 15 meses (para o crédito pessoal) e de 18 para
24 meses (para o crédito direto ao consumidor – CDC). Os prazos de financiamento
concedidos pelas lojas e financeiras aos consumidores fazem parte dos mais
longos já constatados no País.
Por: Rhudy Crysthian
Fonte: http://www.dm.com.br/impresso.php?id=178507&edicao=7081&cck=4








