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A longevidade de uma empresa

Qual é a expectativa de vida de sua empresa?

A longevidade de uma empresa

A empresa viva

No mundo das instituições, as empresas comerciais são membros recentes. Sua história abrange apenas quinhentos anos de atividades no mundo ocidental, uma minúscula fração do tempo de existência da civilização humana. Nesse período, como produtoras de riqueza material, elas têm tido imenso sucesso; são o maior veículo de sustento da cada vez maior população mundial por meio de bens e serviços que tornam possível a vida civilizada. Nos próximos anos, à medida que os países em desenvolvimento expandirem seus padrões de vida, as empresas serão mais necessárias do que nunca.

No entanto, muitas empresas comerciais são fracassos contundentes. Elas estão em uma fase primitiva de evolução, desenvolvem e exploram apenas uma fração de seu potencial. Como prova, basta considerar a alta taxa de mortalidade. A expectativa média de vida de uma empresa multinacional é de quarenta a cinqüenta anos. Esse número é baseado na maioria das pesquisas sobre nascimentos e mortes corporativas. Os seres humanos aprenderam a sobreviver por 75 anos ou mais, em média, mas são poucas as empresas que atingiram essa idade e estão prosperando.

Mas existem empresas que superam, e muito estes índices. A Stora, por exemplo, é um grande fabricante de papel, celulose e produtos químicos: ela é uma empresa de capital aberto desde seus primórdios, há mais de setecentos anos. O Grupo Sumitomo tem suas origens em uma fundição de cobre fundada por Riemon Soga, em 1590. Exemplos como esses bastam para sugerir que o tempo médio de vida de uma empresa deveria ser de dois ou três séculos.

Grandes empresas, sólidas, os pilares da sociedade me que vivemos, parecem manter-se em pé por não mais que uma média de quarenta anos. E esse número representa a expectativa de vida de empresas de porte considerável. Essas empresas já sobreviveram aos seus primeiros dez anos de vida, um período de alta “mortalidade infantil” corporativa. Em alguns países, 40 por cento de todas as empresas recém-criadas duram menos de dez anos. Pesquisas comprovam que no Japão e em grande parte da Europa, o tempo médio de vida das empresas é de 12,5 anos. O que não deve ser muito diferente nas Américas.

Porque então tantas empresas morrem prematuramente? Há muitas especulações sobre a razão. Todavia, acumulam-se provas de que empresas fracassam porque o pensamento e a linguagem predominantes na gerência estão baseados muito estreitamente no pensamento e na linguagem predominantes da economia. Em outras palavras: empresas morrem porque seus gerentes se concentram na atividade econômica de produzir bens e serviços, e se esquecem de que a verdadeira natureza de suas organizações é aquela de uma comunidade de seres humanos. As lideranças jurídicas, educadores na área de negócios e a comunidade financeira nos acompanham nesse erro.



Fonte: A Empresa Viva.  Arie de Geus, 1998 Editora Campus Ltda.

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