Ferramentas Pessoais
Você está aqui: Página Inicial Tecnologia Apoio à inovação tecnológica será prioridade no BNDES
Acessar


Esqueceu sua senha?
 

Apoio à inovação tecnológica será prioridade no BNDES

Considerado um dos principais vetores da política industrial brasileira, o BNDES emite sinais fortes de uma importante mudança no eixo de suas prioridades. Se entre as décadas de 50 e 80 foi protagonista na estruturação industrial do país e, nos anos 90 assumiu a liderança no processo de privatização, a nova fase da instituição pode ser definida pela palavra inovação.

Com esse novo enfoque, o banco pretende ser um indutor de empreendimentos inovadores e encontrar alternativas para o grande desafio da competitividade global: a China. O país tem se destacado por uma produção de bens de consumo baseada em custos muito baixos, competência que o Brasil dificilmente terá como enfrentar. A alternativa seria evitar a disputa de mercados já saturados e apostar em setores que dependam centralmente de inteligência e inovação.

"Em determinadas áreas, os chineses, enquanto mantiverem essa taxa de câmbio, ficam imbatíveis. Entretanto, existem extratos de mercado em que a competição não se faz apenas por custo. É isso o que buscamos", afirma Demian Fiocca, presidente do BNDES. "Temos de fazer as empresas brasileiras se posicionarem melhor no mercado externo."


A intensidade com que a terceira fase do banco será consolidada depende do nome a ser escolhido pelo presidente Lula para assumir a presidência do BNDES em seu segundo mandato. No entanto, pouco antes de Lula ser reempossado no Palácio do Planalto, o atual comando do banco aprovou o último tópico de um pacote de medidas de inovação com capital de risco, deixando pavimentadas ferramentas para a próxima gestão, caso Fiocca não permaneça no cargo.


Numa das últimas reuniões de 2006, a direção do banco aprovou o Criatec, um instrumento que destinará R$ 80 milhões para a construção de um fundo de "seed money" (capital semente), num horizonte de investimento de quatro anos. O foco são empresas identificadas como "portadoras de futuro", altamente especializadas e que atuem em setores de ponta, como nanotecnologia, biotecnologia, energias renováveis, design, agronegócios, logística, novos materiais etc.


A meta é operar com companhias de pequeno porte, ou incubadas, com faturamento de até R$ 6 milhões e com soluções na faixa pré-comercial, que ainda não foram transferidas para o setor empresarial.


"O Brasil é frágil dentro da cadeia de inovação, entre a pesquisa básica, realizada nas universidades e em alguns institutos de pesquisa, e a inovação de produtos que é feita pela indústria, mas de maneira, digamos, menos ambiciosa".


A ausência de uma política pública de apoio ao segmento inovador brasileiro tem favorecido, na avaliação do presidente do BNDES, a fuga de cérebros e a aquisição de pequenas e médias empresas por multinacionais capitalizadas, o que compromete a capacidade competitiva do Brasil. "Quadros altamente qualificados no país conseguem se preparar, investir numa certa linha de futuro, mas não têm como simplesmente crescer com recursos próprios. Precisam de capital", diz Fiocca.


Com o lançamento do Criatec, o BNDES conclui a cadeia de instrumentos de capital de risco para empresas inovadoras em diferentes estágios e tamanhos. Com os fundos de "seed money", beneficia as empresas chamadas nascentes. Com os de "venture capital", financia as primeiras etapas de desenvolvimento de companhias novas, mas com perspectiva de crescimento rápido. E com os fundos de "private equity", investe em papéis de empresas recém-fundadas e negociados em âmbito restrito.


No ano passado, o banco aprovou R$ 260 milhões em cotas de dez fundos distintos, em fase de captação, com alavancagem superior a R$ 1,3 bilhão para empresas com um perfil maior do que as do Criatec. Oito fundos são de "venture capital" e dois fundos são de "private equity". Fiocca reconhece que o valor é pequeno -- se comparado aos R$ 52,3 bilhões desembolsados pelo banco no ano passado.


Para ele, o maior desafio para uma entidade do porte do BNDES, não é o montante de recursos. No aspecto macro está sua função de pautar e sedimentar a inovação como área estratégica para a política industrial do governo federal. E, no aspecto mais específico, fazer com que os gestores dos fundos encontrem empresas com esse perfil inovador, "consigam investir e fazê-las crescer".


O fundo do Criatec terá um gestor nacional - a ser escolhido entre fevereiro ou março - e beneficiará 60 empresas distribuídas em até oito regiões do país por meio de gestores regionais, para identificar a inteligência que também existe em centros de excelência fora do eixo Rio-São Paulo. Estima-se que este instrumento propicie a inserção de cerca de 3 mil novos postos de trabalho.

Fonte: http://si.knowtec.com:8080/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=3322&idcontato=1810&origem=fiqueatento&nomeCliente=FUNCEX&data=2007-01-16  - 16/01/2006

Ações do documento