Avanço da tecnologia exige trabalhadores qualificados
A exigência da qualificação no mercado de trabalho é fruto de um processo que remonta há décadas e tem, na indústria, seu maior exemplo. Com a expansão da indústria automobilística na década de 60 pela política do presidente Juscelino Kubitschek, as grandes metrópoles passaram a oferecer empregos, modificando de vez o perfil da cidade do agrário para o industrial.
Limeira viveu este momento e o primeiro grande movimento ocorreu antes,
na década de 40, com o surgimento de indústrias como a Invicta e a
Freios Varga (atual TRW), em 1943, e a Fumagalli e Máquinas D’Andrea,
em 1947. Seguindo o ritmo nacional, a industrialização consolidou-se
nos anos 60.
O professor de Metal/Mecânica do Senai, Sérgio Marostegan, lembra que a
extinção da antiga Máchina São Paulo fez surgir inúmeras empresas no
município e, consequentemente, aumentou a concorrência e a expansão do
emprego. Ele cita que o serviço braçal perdurou até a década de 80.
Nesta época, a meta principal da indústria era a produção. “Para
sobreviver, as empresas tinham que jogar peças no mercado”, explica.
Ele lembra que não existia conceitos como o de “qualidade” e de empresa
“limpa”. “As firmas se caracterizavam pelo chão-de-fábrica. Era o
‘quanto mais sujo, mais sinal de produção e melhor’”, enfatizou.
Na década de 80, a indústria começou a se modernizar. Começam a surgir
as máquinas CNC, que avançam na década seguinte. Ele lembra que este
tipo de máquina substitui linhas inteiras de produção. “Tem máquinas em
que uma mão-de-obra faz o mesmo que dez faziam antigamente”, explica.
Com o “boom” da tecnologia, obrigação de reduzir custos para aumentar a
produtividade e a exigência dos clientes, a maior parte das empresas
migrou sua política de produção total para qualidade.
Para o trabalhador, estas mudanças exigiram uma readequação no mercado.
“O lado negativo desta tecnologia é que fechou muitas vagas”. Com isso,
a competitividade, segundo Marostegan, aumentou a disputa e a exigência
por trabalhadores mais qualificados. “Há uma preocupação global hoje
nas empresas, que envolve produção, qualidade e até ambiente. Quem não
se enquadra fica de fora”, disse, lembrando que os menos escolarizados
acabam ficando com os sub-empregos.
Outro fator de mudança é a globalização e o avanço da tecnologia
chinesa, cada vez mais barata e competitiva no mercado internacional, o
que força a indústria brasileira a investir para não perder mercados
conquistados. No entanto, ele avalia que o avanço da tecnologia abriu
também espaço para novas formas de trabalho.
“Uma máquina CNC precisa de um ampla estrutura de manutenção para lhe
amparar, o que abre vagas nesta área. Só que há pouca procura neste
tipo de trabalho e uma insistência nas profissões antigas, onde a
concorrência é bem maior”. O operador de máquinas Marcos Ferreira
Santos, 20, que faz Senai e atua em máquinas CNC numa empresa de
usinagem de auto-peças, resume: “O profissional capacitado tem mais
chances de sobreviver hoje no mercado”. (RS)
Fonte: http://www.gazetadelimeira.com.br/site/index - 02/05/2006








