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Banco vai destinar R$ 80 milhões para fundo que terá como foco empresas "portadoras de futuro"
O modelo de fundos de "seed money" existe há algum tempo em países que cresceram rapidamente ao longo da última década, como Irlanda, Israel e Finlândia, e que tiveram uma participação forte do Estado na criação de um governo de inteligência e desenvolvimento de bens intangíveis.
Fiocca, Barros de Castro e Fingerl: BNDES vai passar do estágio da fabricação para a de geração de valor
A
proposta BNDES com as medidas pró-inovação é romper com o paradigma
indústria-infra-estrutura, ao qual o banco sempre esteve associado, e
enfatizar uma política industrial "moderna". "A capacidade de fabricar
continua sendo relevante, mas o objeto é a capacidade de gerar valor,
seja por novas fábricas, seja por idéias, por bens intangíveis etc.
Passar do estágio da fabricação para a de geração de valor", explica
Antonio Barros de Castro, diretor de Planejamento do BNDES. "É uma
forma mais abrangente de conceber o apoio à produção contemporânea."
| De
acordo com um mapeamento realizado pelo banco, seus clientes atuais já
não buscam mais a instituição apenas para ampliar uma instalação ou
construir uma nova planta, como na primeira fase do BNDES. Hoje, o
grande desafio das empresas está no desenvolvimento de linhas de
produto. |
| Barros
de Castro destaca que, apesar de o banco apoiar a elite da pesquisa e
do desenvolvimento nacional, o BNDES não quer ficar restrito a produtos
tecnologicamente sofisticados. Ele cita que um dos clientes do banco na
área de inovação é do segmento de móveis. "É por meio da inovação de
sua linha de cadeiras que esse setor ganha mercado. Em boa medida,
estamos negociando a capacidade de lançar sucessivas linhas de
cadeiras. Não se trata de uma nova molécula, mas de saber produzir de
forma mais sistemática e mais seqüencial", afirma. |
| Essa
nova ênfase do BNDES implica também ampliar as formas de investimentos
do banco. A direção da instituição acredita que empresas inovadoras que
participam dos fundos de "seed money" ou de "venture capital" não têm
perfil para a obtenção de financiamento. Primeiro, porque o
financiamento, em tese, implicaria avaliar que todas as empresas terão
êxito, ignorando-se, portanto, os riscos inerentes desses negócios. E,
segundo, porque essas empresas possuem pequena capacidade financeira.
Ao contrário do que ocorre na expansão da capacidade produtiva
tradicional, o investimento em empresas de bens intangíveis não
constrói sua própria garantia, por isso, a adoção de fundos de capital
de risco parece mais adequada, segundo o banco. |
| "Como
transformar design, processo gerencial, serviços de logística ou
marketing, apenas para exemplificar, em uma garantia real?", pergunta
Eduardo Rath Fingerl, autor da tese "Considerando os Intangíveis:
Brasil e BNDES" e diretor da área de mercado de capitais do banco. Para
ele, o valor que a inovação constrói "está associado às expectativas de
um mercado quase sempre a transformar ou a estruturar para aquele
produto ou sucesso". |
| Do
ponto de vista dos ganhos dessas operações, o BNDES avalia que a
formatação de fundos de capital de risco também é mais conveniente do
que a criação de linhas de financiamento. Isso porque ao realizar
empréstimos, o BNDES ganha "apenas" o spread do financiamento, afirma
Fiocca. Com fundos como estes, o banco torna-se sócio do
empreendimento, que no caso de sucesso, pode propiciar ganhos
significativos para a instituição. "Nós sabemos que algumas dessas
empresas não vão dar certo, mas estamos fazendo bom uso desses
recursos, pois das que derem certo, nós seremos sócios do sucesso na
sua proporção", diz. |
| A
grande preocupação com esses fundos é que o banco precisa aprimorar e
desenvolver mecanismos de avaliação e mensuração dos fatores
intangíveis da área de inovação, que envolvem risco bastante elevado.
Experiências nacionais e internacionais, entretanto, revelam que, na
média, as empresas inovadoras, que participam de fundos de capital de
risco, trazem retorno financeiro e econômico, segundo Fiocca. |
| A
tarefa de mitigar riscos, no caso do Criatec, estará a cargo do gestor
do fundo a ser escolhido, que terá de ser capaz de identificar não
apenas os bons negócios, como contribuir com a governança corporativa
da empresa do fundo, sua estruturação e seus aspectos comerciais e
financeiros. O objetivo é que elas evoluam para outros fundos. De
acordo com Fingerl, há duas direções desejáveis e possíveis no prazo
médio de quatro anos para as empresas dos fundos de "venture capital":
a estratégica, ou seja, a aquisição por outra companhia maior, ou a
oferta pública de ações na bolsa. |
| "O
BNDES dá grande importância a trazer as empresas para a bolsa de
valores. Há um grande celeiro nessas pequenas e médias empresas do
fundo de ´venture capital´ que, um dia, podem ser listadas e podem vir
a aumentar a base de companhias na Bovespa", afirma Fingerl. |
| O exemplo da Lupatech,
líder nacional em válvulas industriais no setor de petróleo e gás, que
ingressou no ano passado no Novo Mercado da Bovespa, é bastante
ilustrativo dessa nova ordem do BNDES, segundo o diretor de mercado de
capitais do banco. |
Antes
de abrir o capital, a empresa obteve aporte de R$ 39 milhões do BNDES
por meio de investimento de "private equity". Em 2005, seu faturamento
foi de R$ 200 milhões, 42% acima do verificado no ano anterior. "Essa
empresa passou rapidamente de uma categoria pequena para um sucesso
estrondoso", comemora Fingerl. Fonte: http://si.knowtec.com:8080/sctato=1810&origem=fiqueatento&nomeCliente=FUNCEX&data=2007-01-16 - 16/01/2007
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