Banda larga avança, mas ainda está restritra às classes A e B
A oferta de larga fixa continua avançando de forma
acelerada no Brasil. De 2000 a 2009, o número de assinantes desses
serviços no país saltou de 123 mil para 12 milhões, segundo o estudo
denominado "Alternativas de Políticas Públicas para a Banda larga",
lançado no mês passado pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação
Tecnológica da Câmara dos Deputados.
Apesar dessa expansão, o relatório aponta que o acesso aos
serviços de banda larga fixa ainda está restrito às classes A e B, o que
tem feito com que o ritmo de crescimento venha caindo desde 2004. A
pesquisa indica que o número de usuários deve se estabilizar em menos de
20 milhões até o fim de 2014.
Já em relação à banda larga móvel, o estudo estima que
atualmente o Brasil tem 4,2 milhões de assinantes, o que, segundo o
Conselho de Altos Estudos, é um número insatisfatório, já que
praticamente 90% dos domicílios não têm acesso ao serviço. Além disso,
observa que a concentração é grande em termos espaciais: aproximadamente
40% dos acessos em banda larga estão concentrados no estado de São
Paulo.
De acordo com a amostra, na falta de políticas públicas
específicas, a qualidade do serviço de banda larga no Brasil ainda é
baixa, os preços altos e a disponibilidade da oferta deixa a desejar,
apesar do crescimento acelerado do número de acessos.
O relatório mostrou que 90% das conexões de internet no Brasil
são realizadas em faixas inferiores a 1 Mb. De acordo com indicadores
utilizados nos países desenvolvidos, 2 Mb é considerado o mínimo para
que o serviço possa ser considerado de banda larga.
Além disso, a banda larga no Brasil é uma das mais caras do
mundo. Considerando as limitações de renda da população, um patamar de
preço de R$ 50 (inferior ao menor preço praticado no mercado) já exclui
65% dos brasileiros do acesso à banda larga. Para que 54% pudessem ser
incluídos, os preços da conexão teriam de partir de R$ 30, avalia o
trabalho.
"Nos Estados Unidos, para ter um serviço de banda larga eficaz,
em média, o usuário compromete 0,4% da sua renda. Já no Brasil, o
usuário compromete 9,6% da sua renda, em média. Os dados são de um
estudo feito em 154 países pela União Internacional para as
Telecomunicações (UIT), órgão da ONU, e publicado em 2009", ressalto o
relatório da Comissão de Altos Estudos da Câmara.
Para o deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), relator do
estudo, a sociedade espera respostas sobre políticas públicas capazes de
massificar o acesso à internet e combater o atraso digital do país. "É
impossível falar em universalização do acesso à banda larga sem a adoção
de políticas públicas com essa finalidade", defende.
Segundo ele, as alternativas disponíveis para promover a
popularização da banda larga no Brasil, conforme a publicação, vão desde
a criação de uma estatal para atuar no setor até a implantação de
incentivos e compensações para que o setor privado se interesse pelos
segmentos menos atrativos do mercado. A criação de uma estatal para a
banda larga está em discussão no governo e encontra forte resistência
das companhias telefônicas, que ameaçam recorrer à Justiça contra a
medida.
Para Lustosa, é importante frisar que as propostas em pauta não
são excludentes, e que a possibilidade de adoção de um modelo híbrido
para solucionar o problema da exclusão digital no país não deve ser
descartada. "O caminho é o da complementariedade", defende. As
informações são da Agência Câmara.
Fonte: TI Inside (01/02/2010)








