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Cenário ideal para o empreendedor

O cenário ideal para o empreendedorismo passa pela soma de idéias inovadoras com investimento para viabilizar novos negócios competitivos e com boas práticas de governança.

O Brasil, porém, esbarra na questão do investimento, diante das dificuldades, para os negócios iniciantes, em obter crédito. Cássio Rabello, gerente do Projeto de Private Equity e Venture
Capital da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial ( ABDI) lamenta que o país ainda precise desenvolver opções de capital de risco. Essa forma de financiamento passa pelo investimento ( por meio de sociedade) de fundos específicos
em negócios inovadores incluindo apoio gerencial e visando, no futuro, à venda da participação.

A representante do Fundo Multilateral de Investimentos ( MIF) , Susana Garcia-Robles, durante o evento US-Brazil: Venture Capital and Entrepreneurship, realizado no Rio de Janeiro, na última sexta-feira, dia 14, concordou com o fato de o Brasil ainda precisar crescer quando o assunto é o venture capital, como é chamado o capital aplicado em negócios iniciantes. De acordo com ela, apenas 30%do valor arrecadado pelo fundo são destinados à América Latina. Um dos objetivos do fundo que represento é propagar entre os investidores locais a prática do venture capital no Brasil, ressalta Susana.

Para Kimberlie Cerrone, investidora-anjo do Vale do Silício, berço demuitas empresas detecnologia dainformação na Califórnia, a cultura do capital de risco, seja ou não através de fundos de venture capital, precisa começar nas universidades, que devem ter recursos para investir em idéias de negócios inovadoras, como é o modelo americano. Nos EUA, é uma prática comum as universidades terem fundos de reserva para investirem nos projetos de seus alunos, diz ela.

As opções de fundos de capital de risco para negócios iniciantes ainda são incipientes no Brasil, mas a onda já chegou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES) , que criou o Criatec, um fundo de investimento de venture capital voltado para empresas emergentes inovadoras. O gerente da área de mercado de capitais do BNDES,Otávio Vianna, explica que muito mais do que dinheiro, o programa disponibiliza know-how para a gestão profissional de empresas de base tecnológica. Atuamos em todos os estágios de uma organização, desde o seed capital até a maturação. Fazemos investimento de longo prazo até mesmo em empresas em estágio zero, mas que inspirem projeção de retorno, diz ele.

Para receber aporte do Criatec, Vianna orienta que o critério é rigoroso e leva em consideração pontos como grau de desenvolvimento, diferencial tecnológico ou competitivo, potencial de mercado, localização geográfica, necessidade de recursos e perfil do empreendedor. Comrelação ao tamanho do empreendimento, há chances para empresas inovadoras
com faturamento de até R$ 6 milhões anuais  empreendedores que tenham tecnologias em fase de pesquisa finalizada ou planta piloto.

Outra opção de financiamento são os fundos formados por grandes empresas, como a fabricante de chips Intel. Adriana Machado, diretora de relações governamentais da empresa, lembra que a multinacional americana nasceu com um investimento de capital de risco, em 1968. Para fomentar o empreendedorismo, a empresa criou, em 1999, o fundo Intel Capital, que financia negócios inovadoras em todo mundo. Desde 1991, foram investidos US$6 bilhões, em cerca de mil companhias de aproximadamente 40 países. Cerca de 180 empresas do portfólio foram adquiridas por outras empresas e 155 começaram a ser negociadas em bolsas de valores, diz Adriana.

Finep. No âmbito governamental, a Financiadora de Estudos e Projetos ( Finep) , vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, também oferece oportunidadedecrédito, por meio do Programa Juro Zero, que vem tomando fôlego, desde que foi implantado, em 2004. Cláudio Barbosa, do departamento de investimentos da instituição, explica que a finalidade é
estimular o desenvolvimento de pequenas e microempresas brasileiras. Em 2006, recebemos mais de mil projetos, dos quais 148 foram contratados.No ano passado, a procura aumentou. Recebemos cerca de 3 mil projetos e, com um investimento de R$ 380 milhões, 192 foram agraciados. Para participar, as empresas devem ter certificado digital de pessoa jurídica,
possuir pelo menos um ano de exercício completo e ter apurado faturamento bruto entre R$ 330 mil e R$ 10, 5 milhões, no ano fiscal anterior ao pedido de financiamento, entre outros requisitos, ressalta Barbosa.


Fonte: SIMONE GARRAFIEL - DO JORNAL DO COMERCIO

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