Conta vai para quem emprega menos
O governo deverá encaminhar a proposta de reforma tributária no início do segundo semestre.
O alívio de impostos para os setores que mais empregam deixará uma
conta a ser paga, ao que tudo indica, pelos segmentos menos intensivos
em mão-de-obra. Entre as medidas que estão sendo preparadas, as
alíquotas da contribuição patronal para a previdência social poderão
variar de setor a setor conforme a importância de cada um para o
emprego, adiantou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Ganham neste caso empresas de vestuário, calçados e têxteis,
justamente as mais afetadas pelo câmbio. E perde por outro lado a
indústria extrativa, responsável por apenas 2,1% de todo o emprego
industrial, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
A indústria brasileira emprega cerca de 5,4 milhões de
trabalhadores segunda a pesquisa anual do IBGE atualizada com projeções
da pesquisa mensal. Têxtil, vestuário, calçados e máquinas e
equipamentos - que mais se queixam da desvalorização do dólar -
respondem por mais de um terço dos trabalhadores. Vestuário e calçados,
mesmo depois de quatro anos consecutivos de perdas no emprego, ainda
detêm 15% das vagas do setor. O segmento de máquinas e equipamentos
detém 6,5% na parcela de empregos. Móveis e têxtil absorvem cerca de
10% dos empregos industriais.
Por outro lado, a indústria extrativa mineral, produtores de aço,
de automóveis, de celulose e outras commodities têm pouca participação
no emprego industrial. Vedetes da exportação e dos maiores lucros da
América Latina, minério de ferro e petróleo - leia-se Petrobras e Vale
do Rio Doce, principalmente - respondem apenas por 2,1% dos empregados
de toda a indústria. A metalurgia responde por 3% da mão-de-obra. E a
produção de material de transportes (inclui as montadoras) tem apenas
1,3% do universo de trabalhadores.
Paulo Bernardo explicou que a contribuição patronal sobre a
previdência deixará de incidir sobre a folha de pagamento das empresas.
Em vez disso, o tributo será proporcional ao valor agregado das
empresas - faturamento menos as compras de insumos. Paralelamente, o
governo estuda alíquotas diferenciadas, ao mesmo tempo em que, segundo
o ministro, não quer abrir mão da arrecadação vigente.
"A desoneração da folha está sendo discutida para a economia como
um todo, para todos os setores. Coincidentemente, os setores mais
afligidos pelo câmbio são os maiores em mão-de-obra, acaba sendo uma
compensação" afirmou, durante o XIX Forum Nacional, na sede do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O ministro
explicou que a medida de deseoneração não precisa ser aprovada pelo
Congresso e pode ser implementada nos próximos meses, ao contrário da
reforma tributária que ainda levará alguns anos, como ele mesmo
afirmou.
O governo deverá encaminhar a proposta de reforma tributária no
início do segundo semestre, segundo o ministro. A reforma está pronta,
esperando aval de estados e municípios. "Não está totalmente pactuado
mas já começamos as as conversas, temos boas respostas e isso nos leva
a crer que até o final de julho já podemos fechar as negociações",
afirmou Bernardo. "Não vai ter perda de receita, não vai afetar os
estados e vai acabar com a guerra fiscal", disse ele.
Fonte: (Sabrina Lorenzi - InvestNews) 17/05/2007








