Criado no Brasil, “primeiro software ecológico do mundo” calcula viabilidade econômica da reciclagem
Com base na quantia produzida, reciclada e disposta em aterros, torna-se possível mensurar a economia de matéria-prima, energia, água e a redução dos danos ambientais, coleta, transporte e arranjo final do lixo.
No dia 24, no centro de ensino ESAMC de Sorocaba (SP),
foi lançada a versão 1.6 do “primeiro software ecológico do mundo” – conforme o
material de divulgação. Batizado de Verdes – sigla para Viabilidade Econômica da
Reciclagem dos Resíduos Sólidos -, o programa pretende ser uma ferramenta
prática para prefeituras, secretarias, instituições, ONGs, universidades e
pesquisadores.
A mensuração dos resultados se dá analisando os mais
lucrativos produtos reciclados do lixo urbano brasileiro - lata de alumínio,
papel e papelão, plástico, vidro e lata de aço -, os quais representam mais de
90% dos valores mercadológicos conseguidos com o processo da reciclagem.
Com base na quantia produzida, reciclada e disposta em aterros, torna-se
possível mensurar a economia de matéria-prima, energia, água e a redução dos
danos ambientais, coleta, transporte e arranjo final do lixo. Com a quantia de
lixo jogada nos aterros somada aos índices que foram reciclados, tem-se o total
produzido ou consumido de um determinado produto.
“Já foi provado
cientificamente que a reciclagem dos resíduos sólidos é viável economicamente,
gerando trabalho e renda para milhares de pessoas, e sua adoção deixou de ser
econômica para se tornar ecológica”, diz Márcio Magera, professor universitário,
economista e consultor ambiental. Ele concebeu o Verdes em meio às atividades de
seu pós-doutoramento em Sociologia, pela Unicamp.
“Ás vezes, uma
Prefeitura paga R$ 100 mil ou R$ 200 mil para fazer um diagnóstico da reciclagem
dos resíduos sólidos naquela cidade. O programa faz de graça, com uma margem de
erro mínima”, disse a AmbienteBrasil, lembrando que, segundo o IBGE, os
brasileiros geram 120 mil toneladas diárias de lixo, sendo que apenas um terço
vai para os aterros sanitários devidamente controlados. “Os outros dois terços
são disputados por catadores e vassalos da modernidade que vivem do lixo e no
lixo”.
“Com a simplicidade de alguns toques, se pode saber em questão de
segundos, o quanto sua região, cidade, Estado ou país, pode economizar e ganhar
em matérias-primas, energia e água”, reforça o professor. Dentro do Verdes, há
também um programa de gestão para Cooperativas.
O software está sendo
distribuído gratuitamente aos interessados (para baixá-lo, é só clicar aqui). “Eu
fiz o meu pós-doutoramento de graça na Unicamp, e quis retribuir”, diz Márcio
Magera, para quem “todos devemos deixar o mundo ao menos um pouco melhor do que
o encontramos”.
Fonte: Mônica Pinto (AmbienteBrasil) <http://www.reciclaveis.com.br/> 04/09/2007








