Criar expectativa é a alma do negócio
Primeiro foi a Apple, que anunciou o lançamento do iPhone meses antes de o produto chegar às prateleiras e fez história – no primeiro final de semana, vendeu mais de meio milhão de unidades do aparelho.
Agora, foi a vez da Sony lançar uma novidade – o Playstation 3 – antes de ela estar ao alcance do consumidor. “Antecipar lançamentos é mais que uma tendência. É um estilo de lançar tecnologia”, pondera Paulo Queiroz, vice-presidente da agência de publicidade paulista DM9DDB Brasil.
Tendência ou estilo, cada vez mais empresas de tecnologias estão adotando esse modelo de venda para criar expectativas no mercado e adicionar valor ao produto, segundo um levantamento da Universidade de Michigan. No caso do iPhone, calcula-se que os potenciais consumidores já vinham fazendo “publicidade espontânea” seis meses antes do início das vendas – por meio de vídeos no portal YouTube e a distribuição de ringtones que poderiam ser usados no iPhone. “Isso cria um buzz marketing inacreditável. Tudo o que já estava no mercado virou pó por conta da expectativa da chegada do iPhone”, recorda Queiroz.
Rafael Pallarés, diretor de serviços de marketing da DCS, de Porto Alegre, destaca que a maior vantagem dessa estratégia é justamente postergar a decisão do cliente e garantir que ele aguarde o lançamento do produto. “A pessoa deixa de comprar o que já está no mercado, para esperar pela chegada do novo produto”, justifica Pallarés. Ele cita como exemplo o fracasso de vendas do “Wii”, vídeo game da Nintendo lançado antes do Playstation 3, da Sony. “No mercado de tecnologia, o negócio é ser o primeiro”, acrescenta. Mas e se o aparelho não corresponder à expectativa – como foi, para alguns, o caso do iPhone? Não importa. “A sensação de ter o celular é maior do que a frustração”, acredita Queiroz, da DM9DDB Brasil.
Max Lacher, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), defende que antecipar a divulgação não é um caso exclusivo de empresas de tecnologia. “A lógica é a mesma de quando lançaram o carro popular Corsa (para a compra do qual havia uma lista de espera de dois anos). O conceito não é novo, mas está sendo repaginado”, salienta Lacher. Para ele, trata-se de uma adequação à rapidez do mercado e à exigência dos consumidores.Fonte: Fernanda Arechavaleta, News Revista Amanhã - 17/07/2007








