Empresário terá aula gratuita de 'inovação'
A Confederação Nacional da
Indústria (CNI), o Sebrae e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT)
vão investir cerca de R$ 100 milhões num projeto que pretende incentivar
a gestão da inovação na indústria brasileira, especialmente nas
empresas de micro e pequeno porte desse segmento. O acordo foi anunciado
ontem em São Paulo e deve ser oficializado na semana que vem, com o
início do programa. Os recursos serão usados na criação de 20 núcleos de capacitação,
cada um deles num Estado brasileiro. "A ideia é gerar em torno da
inovação a mesma mobilização iniciada no Brasil nas décadas de 80 e 90
para a gestão da qualidade, com a adoção dos Isos", disse o presidente
da CNI, Robson Braga de Andrade. A confederação e o Sebrae vão contribuir com R$ 50 milhões para o
projeto. A outra metade será alocada pelo MCT, que promete lançar edital
já na próxima semana definindo o valor exato de sua participação. Com
os recursos em mãos, os três órgãos darão início a uma série de eventos
nacionais, que pretendem atrair cerca de 18 mil empresas para workshops,
palestras e cursos sobre inovação. "Vamos incentivar os empresários a
implementarem processos novos em canais de venda, marketing,
comercialização, tudo com foco no aumento da competitividade", explica
Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae. Ao fim desse processo de mobilização, as entidades estimam que cerca
de 2,4 mil empresas estejam aptas e dispostas a "inovar". Nas etapas
seguintes, os empresários serão orientados na elaboração dos projetos e
em como executá-los tendo a ajuda de consultorias sofisticadas nas
próprias federações da indústria ou em associações setoriais. "Não
existe uma receita pronta para inovação. Cada caso é um caso e terá de
ser estudado à parte", diz Santos. Financiamento As empresas terão apoio também na hora de ir atrás dos recursos para
fazerem os projetos saírem do papel. "Podem ser recursos próprios, do
BNDES ou qualquer outra forma de capitalização que a empresa considere
conveniente", diz Andrade. "Vamos ajudá-los a buscar essas linhas de
crédito", concluiu o representante da CNI, ao esclarecer que os R$ 100
milhões destinados a esse programa não serão repassados diretamente às
empresas por meio de financiamento, mas sim usados na capacitação. Em maio, a CNI apresentou aos principais candidatos à Presidência da
República uma lista de propostas que passam por ajustes tributários, de
infraestrutura e até ambientais que visam ao aumento da competitividade
industrial brasileira. "E o tema central da competitividade é a
inovação", diz Andrade. Só assim, segundo ele, as indústrias brasileiras
terão condições de competir no mercado doméstico e internacional com as
estrangeiras. Um exemplo de empresa que tem conseguido se diferenciar por causa da
inovação é a Democrata, fabricante de calçados de Franca, interior de
São Paulo. Esse é um case que o diretor técnico do Sebrae, Carlos
Alberto Santos, costuma citar quando o assunto é inovação. Ao
desenvolver um solado com amortecimento, a empresa conseguiu se
diferenciar no exterior e amenizar a concorrência com os sapatos
chineses vendidos a preços muito baixos. "Mudar processos tem um custo,
mas essa é uma prova de que dá resultados", diz Santos. Fonte: http://www.incorporativa.com.br/ (06/07/2010)








