Fábrica da Klabin está cercada de obras
Os planos de expansão da Klabin vão muito além da fábrica de papel de Telêmaco Borba. Toda a cadeia da produção de matéria-prima para embalagens vem sendo redimensionada. A própria extensão das florestas, hoje em 192 mil hectares, deve passar de 200 mil hectares até o final do ano.
Plantio de Eucalyptus grandis com 25 anos, em fase de corte final, na área da Klabin (Telêmaco Borba - Pr)
Com isso, a empresa continuará produzindo mais madeira do que o
necessário para obter a celulose usada em suas fábricas. Hoje, a cada
três árvores que seguem para a produção de papel, uma é vendida para
terceiros – fábricas de móveis, lâminas, serrarias. Mesmo assim,
segundo o diretor florestal da Klabin, Reinoldo Poernbacher, será
necessário reforçar as atividades nos viveiros de mudas e nas áreas
plantadas para manter a postura de cautela diante da crescente demanda
internacional.
São justamente as florestas que vão gerar a maior parte dos novos
empregos permanentes em Telêmaco Borba: cerca de 700, contra 250 dentro
da indústria. O primeiro corte de eucalipto e o desbaste inicial do
pinus são realizados seis anos após o plantio, prazo que reserva bom
número de vagas ao setor.
Mas, por enquanto, a ampliação da atividade florestal é a menos
visível. Os operários se concentram em volta da própria fábrica de
papel, separada da cidade de Telêmaco pelo Rio Tibagi. Nos dias de mais
atividade, 2,5 mil pessoas entram e saem do parque industrial da
Klabin, por uma ponte estreita ou pelo bonde aéreo, que facilita a
travessia do rio.
Para que a circulação de pessoas não saia do controle, os operários
passam o dia no local de trabalho. Uma das primeiras obras necessárias
foi a construção de um novo refeitório, já em funcionamento.
Para ampliar a atividade industrial, um novo descascador de toras vem
sendo instalado. A idéia é abrir uma terceira linha de preparação de
madeira, daqui a oito meses. Os dois descascadores em atividade têm 5
metros de diâmetro por 20 de comprimento, e o novo, 6 de diâmetro por
35 de comprimento. Na outra ponta do processo de fabricação de papel,
segue adiantada a instalação de uma segunda caldeira de recuperação dos
produtos químicos. A construção terá 50 metros de altura, como a atual.
Resíduos
A Klabin sustenta que a expansão de suas atividades não vai aumentar o
lançamento de efluentes no Rio Tibagi. Além de ampliar a recuperação de
substâncias químicas como a soda, a empresa deve instalar mais dois
clarificadores de resíduos (hoje são dois), e uma segunda lagoa de
aeração. Antes de chegar ao Tibagi, os resíduos deverão passar por uma
filtração final, que hoje não existe.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já concedeu licença prévia e
licença de instalação à Klabin. Nos próximos meses, deverá avaliar as
condições de operação da indústria, que pretende colocar as novas
instalações em funcionamento no segundo semestre de 2007.
Galpão central
O coração das novas instalações – galpão onde ficará a nova máquina de
fazer papel – já pode ser visto da cidade de Telêmaco. Separada da zona
urbana pelo Rio Tibagi, a construção terá 300 metros de comprimento por
40 de largura e 25 de altura.
Uma ponte rolante de 40 metros de largura, no alto da construção,
começa a ser usada para a instalação da máquina de fazer papel. A
construção do galpão andou a passos largos, com produção de
pré-moldados no próprio pátio da indústria.
A última máquina de fazer papel que a Klabin instalou em Telêmaco é de
1978. Na década seguinte, a empresa iria instalar outra matriz no
município, com peças usadas importadas por preços atrativos. Esses
equipamentos, no entanto, acabaram sendo usados em manutenção e
modernização das máquinas em operação.
Com a atual expansão da indústria, a Klabin vai produzir cerca de 400
toneladas a mais de celulose em Telêmaco Borba. Para ampliar a
exportação, se obriga a reforçar ainda sua estrutura de transporte.
Novos vagões de trem já estão em operação para que o embarque férreo
continue representando pelo menos 20% do transporte da produção. Foi
necessário aumentar também o depósito, que manterá a capacidade de
armazenar a produção de 20 dias de trabalho.
Fonte: José Rocher http://canais.ondarpc.com.br/gazetadopovo/impressa/economia/conteudo.phtml?id=632357 - 30/01/2007








