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Fabricante de máquina sofre com importação

Descontos agressivos reprimem ainda mais produção doméstica

Crise provocou uma liquidação de máquinas importadas no Brasil e agravou a situação dos fabricantes nacionais, que sofrem com a forte retração no mercado interno e com a queda das exportações. A fatia das máquinas importadas nas compras da indústria brasileira subiu de 39,4% em setembro de 2008, antes da turbulência global chegar ao País, para 51,4% em maio deste ano - ou seja, mais da metade do total.

O preço médio do quilo de maquinário importado caiu, entre julho de 2008 e maio deste ano, 14% para válvulas industriais, 26% para máquinas têxteis, 23% para máquinas para indústria alimentícia e 41% para máquinas para madeira, entre outros, conforme levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

"Está ocorrendo uma liquidação mundial de estoques e de produção de máquinas e equipamentos", disse Marcelo Nascimento, economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômica e Social (BNDES). Ele acredita que isso ocorreu porque os mercados internos de importantes fabricantes de máquinas estão muito fracos, caso de Alemanha, Coreia, Japão e Estados Unidos.

Segundo Fernando Ribeiro, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), "não há dúvidas" de que está em curso uma substituição de máquinas nacionais por importadas, porque o ritmo de queda do faturamento do setor é muito maior que a retração das importações.

De janeiro a maio, o faturamento das indústrias de bens de capital recuou 19,7%, enquanto as importações caíram 1,8%. Excluindo os equipamentos pesados, a situação é ainda pior: queda de 31% no faturamento e de 7,5% nas importações. Essas máquinas têm maior valor agregado e pedidos de longo prazo, portanto são menos afetadas pela crise.

A fabricante de válvulas industriais RTS perdeu um contrato com uma fornecedora da Petrobrás para uma empresa indiana no mês passado. Segundo Pedro Lúcio, presidente da empresa, as válvulas indianas estavam 50% mais baratas que as feitas no País. Para se adequar à queda de 50% da demanda provocada pela crise, a empresa demitiu 20% dos funcionários e passou a operar em apenas um turno. A empresa disse que os clientes voltaram a fazer cotações a partir de maio, mas não há encomendas novas.

Conforme Luciano Costa, supervisor comercial da Franho, que fabrica serras para corte de aço, os importadores "estão queimando preço" e uma máquina vinda do exterior, que custava R$ 70 mil, hoje sai por R$ 55 mil. Ele explica que o impacto não é tão grande, porque "simplesmente não há pedidos". No começo do ano, no auge da crise, o faturamento da empresa caiu 70%. Hoje está 50% abaixo do ano passado.

"Com a crise, os preços caíram muito na Europa. As empresas da Alemanha e do Leste Europeu baixaram os preços para entrar na América Latina", disse Mônica Vaders, diretora da Feva, fabricante de máquinas gráficas. Ela explica que a queda dos preços no seu setor chega a cerca de 20%.

O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei), Thomas Lee, admite que o mercado "está pior do que luta livre", porque a demanda encolheu muito. Segundo ele, os fornecedores dizem que as vendas de máquinas no Brasil, apesar do forte recuo, estão melhores do que nos países ricos.

O empresário conta que fabricantes de máquinas europeias, taiwanesas, japonesas e coreanas estão oferecendo descontos de 10% a 15% aos importadores brasileiros, o que é significativo para o setor. A exceção é a China, considerada a grande vilã dos fabricantes nacionais. Por conta do aquecimento do mercado local, as empresas chinesas mantiveram os preços, que já eram competitivos.

De acordo com José Velloso, vice-presidente da Abimaq, a crise agravou a situação, mas a concorrência dos importados no setor de máquinas e equipamentos vem desde 2005, quando as importações passaram a superar o desempenho dos fabricantes nacionais, em tempos de bonança ou de crise. Ele enumera três fatores que prejudicam a competitividade do fabricante nacional: câmbio valorizado, tributação alta e o crédito caro para capital de giro.



Fonte: Estadão / Portal Madeira Total

 
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