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Fabricantes criam marcas paralelas

Com dificuldades para obter boas margens de lucro nas grandes redes de lojas como as Casas Bahia, Ponto Frio e Magazine Luiza, responsáveis por mais de 55% das vendas de móveis no país, algumas empresas da indústria moveleira estão desenvolvendo novas marcas com lojas exclusivas para ampliar sua rentabilidade.

Fabricantes criam marcas paralelas

Fachada de uma loja Todeschini

O objetivo é conquistar uma clientela de maior poder aquisitivo, que sofre menos com as oscilações da economia do que a classe média. Este ano, as vendas do setor caíram 9%, puxadas pela classe C, enquanto o setor A e B se mantiveram estáveis, de acordo com a Abimóvel, entidade do setor. A Carraro e a Rudnick, antigas fornecedoras de móveis populares para as grandes redes, criaram novas marcas para vender móveis planejados sem abalar seu negócio principal.

A Rudnick, de Santa Catarina, abriu sua primeira loja Vogue em Florianópolis (SC) no mês de julho e vai inaugurar a segunda unidade em Curitiba (PR) este mês. Até o fim do ano, planeja abrir uma unidade em São Paulo. "O plano de expansão prevê a abertura de 70 lojas e investimentos de R$ 4,8 milhões por ano até 2011", afirma o diretor geral da Vogue, Álvaro Lahm. A empresa fabrica móveis para cozinhas, dormitórios, salas de estar, banheiros e lavanderias.

Segundo ele, a primeira tentativa de abrir lojas próprias começou em 2002, com o nome Rudnick, enquanto as redes varejistas eram atendidas com uma nova marca, chamada Alpes. No entanto, a iniciativa não deu certo porque as lojas eram voltadas para a classe média e concorriam com as varejistas, que oferecem melhores vantagens de pagamento. "O consumo aumentou mas a oferta cresceu muito em relação a dez anos atrás", explica.

Até 2004, a empresa chegou a abrir 38 lojas Rudnick em todo o país - o equivalente a 30% das vendas da empresa - , das quais restaram hoje apenas 22. A solução foi partir para outro público consumidor, que está disposto a pagar mais caro por móveis planejados e com design mais elaborado.

Assim, a marca Rudnick voltou a abastecer o mercado multimarcas no ano passado e a Vogue ganhou espaço com lojas exclusivas. "Levamos 18 meses para decidir por uma linha voltada para a classe A, que tem um consumo mais estável", explica. A marca Vogue, que pertencia a um fornecedor de placas de aglomerados e MDF no Paraná, pertence à Rudnick há dez anos, mas só agora foi recuperada. O objetivo da companhia é que a Vogue represente 33% dos seus negócios até 2008.

A gaúcha Carraro, que seguiu o mesmo caminho da Rudnick, obtém 30% das vendas internas com a linha Criare, de móveis planejados para dormitórios e salas de jantar. A marca foi lançada há três anos e conta com uma rede de 80 lojas. "Até o final do ano serão 100 lojas e em 2007 pretendemos abrir mais 50", conta o diretor presidente Ademar De Gasperi.

Segundo ele, a marca tem uma fábrica própria, no mesmo terreno da unidade da Carraro, em Bento Gonçalves (RS). Ao todo, são 676 funcionários, sendo que 80 trabalham na Criare. A equipe deve ganhar um incremento de 10% no ano que vem devido ao aumento do número de lojas. "As vendas da Criare cresceram 30% no primeiro semestre", afirma. Em março, a fábrica receberá três novas máquinas italianas para acabamentos, encomendadas este ano após investimentos de R$ 800 mil.

No entanto, a queda das exportações para os Estados Unidos anularam o crescimento obtido com o lançamento da Criare. As vendas para o país, que de janeiro a junho de 2005 representaram US$ 8 milhões, caíram para US$ 200 mil no mesmo período deste ano, segundo o executivo.

Uma das pioneiras na estratégia de crescer entre os consumidores de maior poder aquisitivo foi a gaúcha Todeschini. A marca, que era vendida em lojas multimarcas, passou a ter apenas produtos sofisticados e lojas exclusivas. Para cobrir a lacuna deixada na área de móveis mais baratos, a companhia criou a Italínea, marca independente responsável apenas pelos produtos populares. Três anos após o início desta transição, a Todeschini representa 66% dos negócios da companhia.

Fonte: http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/empresasetecnologia/empresas/Fabricantes+criam+marcas+paralelas,,,51,3898339.html

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