Fabricantes italianas buscam espaço no setor de máquinas
As fabricantes italianas de máquinas-ferramentas
estão de olho no mercado brasileiro, buscando competitividade, além de
proximidade com o restante da América Latina.
O interesse vem de encontro com o momento que o Brasil já começa a sentir inversão da tendência de queda e aguarda os investimentos já anunciados pela Petrobras.
Em
março, o faturamento do setor registrou alta de 30% ante fevereiro, de
acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e
Equipamentos (Abimaq).
O interesse na estatal está trazendo mais
empresas para joint ventures com as brasileiras, em busca, assim, de
contratos com a estatal. "Há interesse do governo para trazer
tecnologia para as empresas brasileiras e ainda uma grande oportunidade
para as italianas", afirmou Nelson Delduque, vice-presidente de Mercado
Externo da Abimaq e também membro do Conselho de Óleo e Gás da entidade.
Delduque
lembrou que os investimentos da petrolífera programados para os
próximos anos atraíram o mundo inteiro de olho no montante que será
investido.
A Itália quer aproveitar
para conseguir ampliar a sua participação no mercado mundial. "As
empresas estão olhando mais os mercados menos afetados pela crise, como
Brasil, China e Índia. Muitas já encaminharam projetos para Brasil, que
devem começar no final de 2009 e início de 2010", afirmou o diretor do
setor de bens de capital do Instituto Italiano para o Comércio Exterior
(ICE), Carlo Bocchi, lembrando, também, da grande dificuldade que as
empresas estão vivenciando na Itália devido à queda de demanda.
O
diretor do ICE disse, ainda, que é de interesse da entidade que as
empresas italianas venham para o Brasil, principalmente para
contribuição tecnológica.
Grande parte das empresas com negócios
comerciais com o Brasil são pequenas e médias indústrias, como a
Vandurit, produtora de insertos de metal duro. A companhia italiana,
que passou a vender seus produtos no ano passado no Brasil, está
sentindo vendas mais fracas por conta do desaquecimento que chegou com
a crise, mas mesmo assim já planeja deslocar parte de sua produção
italiana ao Brasil.
"Dentro do Bric [Brasil, Rússia, Índia e
China], o Brasil é o favorito", afirmou o gerente das operações do
País, Massimiliano Greco. A expectativa, por outro lado, é que as
operações já se iniciem dentro de um a dois anos.
"Agora
buscamos incentivos do governo. Nosso interesse é trazer a linha iso
standart ao Brasil, que será destinado tanto para o mercado interno
quanto para o restante do mundo", disso Greco.
De acordo com as
explicações do executivo, a linha que a empresa pretende trazer ao
Brasil é a com menor valor agregado e tecnológico. O objetivo com a
ação é exatamente ganhar competitividade, já que a companhia vem
perdendo espaço com a produção instalada na Itália, por conta do custo
produtivo. "Nesse tipo de produto o preço é um diferencial", afirmou.
Já
a produtora de máquinas de soldar Cemsa, que atua no mercado brasileiro
há cerca de 20 anos, quer aproveitar a entrada no mercado brasileiro
para conseguir ampliar seu mercado onde participa. "Nosso desejo é vir
para o Brasil, mas antes precisamos ampliar a nossa quantidade de
pedidos no País, para tornar a operação viável", disse o gerente de
Vendas Alessandro Andreotti.
Andreotti afirmou, ainda, que a
estimativa da empresa é que a transferência de parte da produção para o
Brasil deverá ocorrer entre dois e cinco anos. Para isso, no entanto,
incentivos locais serão fundamentais para a vinda ao País. O executivo
também não descartou a formação de joint ventures como uma solução
viável para o investimento.
Fonte: http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=7&id_noticia=285857








