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Gestão do conhecimento e inovação: integrando o que nunca devia ser separado

Conhecimento e inovação são “duas faces da mesma moeda”. Concorda? O conceito não é novo, mas ainda assim é pouco assimilado. Os temas têm relevância estratégica para qualquer organização, porém estas, em sua maioria, os tratam de forma desarticulada. Com isso, desperdiçam grandes oportunidades tanto para o presente quanto para o futuro.

Muito já foi – e continua sendo – escrito sobre inovação. Criatividade, invenção e inovação; cultura de inovação; estratégias e modelos de gestão para a inovação; inovação em produtos, processos e modelos de negócio; inovação aberta – estes e muitos outros assuntos relacionados à inovação certamente poderiam ser comparados a celebridades, pois são figurinhas carimbadas na mídia e sucesso instantâneo nos livros e artigos de administração. O tema conhecimento não é tão “hype” hoje, mas já teve seu apogeu com as citações à “era do conhecimento”, e ainda tem forte presença tanto na produção intelectual quanto nos discursos corporativos.

O curioso é que “conhecimento” e “inovação” não são tratados juntos com muita frequência. Isso pode ser comprovado por uma verificação empírica: em uma busca no Google, os dois termos aparecem juntos apenas metade das vezes em que aparecem separados. Se a busca for feita em inglês (“knowledge” e “innovation”) a proporção é ainda menor: o número de resultados em que os termos aparecem combinados representa apenas cerca de 10% da soma das citações em separado.

Essa distância no discurso pode ser verificada também na prática das organizações. A maioria das empresas têm algum processo ou prática de capacitação, educação, ou mesmo gestão do conhecimento. Muitas delas contam também com iniciativas e áreas de pesquisa e desenvolvimento (P&D), programas de ideias ou processos mais estruturados de gestão de inovação. Mas pouquíssimas tratam conhecimento e inovação de forma realmente articulada, e direcionados por uma estratégia clara.

Mas por que haveriam de ser tratados juntos?

Primeiro, por uma questão de conceito. O que hoje é conhecido (conhecimento) um dia já foi desconhecido (descoberta) ou criado (inovação). Em uma metáfora, poderíamos dizer que o conhecimento é o que se vê pelo retrovisor, enquanto o que se descortina à frente – ou o caminho que fazemos – é a inovação. Até mesmo os grandes autores japoneses I. Nonaka e H. Takeuchi, em seu livro “A Criação do Conhecimeto na Empresa” (1995), demonstram como as organizações covertem conhecimento em inovação, que pode ser vista como a combinação e aplicação de conhecimentos existentes de uma forma nova, resultando na geração de valor. “Enxergar” o conhecimento e a inovação como um mesmo elemento em momentos diferentes de um ciclo pode fazer toda a diferença no entendimento da dinâmica aprendizagem-inovação.

Segundo, por uma questão de resultados. O conhecimento pode ser visto como uma das principais matérias-primas da inovação, devidamente combinado com elementos como a atitude empreendedora, a gestão de riscos e os processos de gestão da inovação. Organizações que conseguem combinar essas duas capacidades, relacionadas à apredizagem (gestão do conhecimento) e à criação e implementação do novo (geração de inovações) em um ciclo único e continuado, orientadas por uma estratégia consistente, certamente têm condições de gerar resultados superiores. Hoje e no futuro. Por que você não tenta na sua empresa?

 

Fonte: http://www.terraforum.com.br (13/09/2010)

 

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