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Governo e setor privado investem mais em inovação tecnológica da pequena empresa

A empresa Pumar, do município de Mesquita, na Baixada Fluminense, contratou o Senai do Paraná para patentear um guarda-sol com tecnologia nova. A empresa vai pagar o serviço em 24 vezes valendo-se do cartão BNDES, que este ano passou a apoiar operações de inovação tecnológica feitas por micros e pequenas empresas. Essa é uma das iniciativas desenvolvidas pelo governo para incentivar o investimento privado em inovação.

Em outra ação, o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), ligado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), fez convênio com o Senai e com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) para capacitar técnicos e difundir informações sobre propriedade intelectual. Em março de 2010, deve ser lançado o "programa de propriedade intelectual para a indústria", que inclui capacitação de técnicos do Senai e do IEL e o lançamento de publicações sobre o tema para empresários e outros públicos.

Diana Jungmann, coordenadora do convênio IEL-Senai-INPI, diz que o Senai tem centros tecnológicos que funcionam como fonte de informação tecnológica. "A ideia é adicionar aos centros as fontes de informação contidas em bancos de patentes", diz Diana.

Segundo ela, os centros serão locais de fornecimento de informações sobre propriedade intelectual com foco em tecnologia. Nesses locais, os empresários poderão consultar, com apoio de técnicos, se existe patente de um determinado produto.

Diana afirma que parte do convênio envolveu a capacitação em propriedade intelectual de 80 técnicos do IEL e do Senai dentro de um projeto-piloto. "Os técnicos do Senai foram capacitados a fazer buscas em bancos de patentes onde existe fonte de informação tecnológica", diz Diana. Já a capacitação dos técnicos do IEL teve foco na gestão de bens que envolvem propriedade intelectual. Ela diz que a competitividade do país passa pela capacidade das empresas de inovar e isso envolve conhecimento sobre propriedade intelectual.

Nesse cenário, ela considera que as micros e as pequenas empresas têm grande potencial de inovação, uma vez que podem ter mais versatilidade do que grandes companhias para se moldar a um novo patamar tecnológico. O conceito é pensar a inovação de forma ampla, envolvendo não só produtos, mas também gestão, diz. "Inovar não é só coisa das grandes empresas, não é só romper paradigmas", afirma Diana.

O presidente do Inpi, Jorge Ávila, diz que o potencial de depósito de patentes por micros e pequenas empresas no Brasil é maior do que o registrado. Em 2008, 435 microempresas pediram registro de patentes ao Inpi, alta de 50% em relação há dois anos. Ele considera que as empresas estão investindo em inovação, mas muitas vezes não fazem o registro da patente por um conjunto de fatores, incluindo a falta de informação sobre como proteger o produto.

O caso da Pumar, de Mesquita (RJ) que tem 60 empregados e fatura R$ 3,5 milhões por ano, é um exemplo de pequena empresa que inova e sabe a importância de proteger seu ativo intelectual. A empresa já havia registrado, com apoio de um escritório de advocacia, uma patente de guarda-sol com design diferente. "Agora vimos a possibilidade, via cartão BNDES, de contratar uma instituição com conhecimento técnico e pagar o serviço parcelado", diz o gerente-financeiro da empresa, Emílio Cantini. O Senai-PR assumiu o processo de patenteamento de um guarda-sol da Pumar cujas varetas e conexões têm maior durabilidade. Também há inovação de gestão de produção, diz Cantini.

Rodrigo Bacellar, chefe do departamento de operações com internet do BNDES, reconhece que é incomum que empresas que produzem itens usados no dia a dia registrem patentes. "É isso que a gente quer estimular", diz Bacellar. Segundo ele, há dez instituições científicas e tecnológicas credenciadas no portal do cartão BNDES na internet. Essas instituições são as prestadoras dos serviços às empresas. Outras 14 entidades estão em processo de credenciamento.

Depois de credenciadas, as instituições se afiliam a uma das bandeiras de crédito disponíveis (Visa ou Mastercard) e montam um catálogo de serviços no portal. Para obter o crédito, não é necessária a apresentação de projeto uma vez o cartão BNDES é uma linha de financiamento com limite de crédito pré-aprovado.

Até meados de setembro, o cartão BNDES financiou 36 operações envolvendo serviços de avaliação de conformidade (ensaios laboratoriais, calibrações e certificações). Essas operações totalizaram mais de R$ 190 mil em financiamentos. Na área de inovação foram feitas quatro operações, duas com o Senai-PR e duas com o Senai-RS.

 

Fonte: ASN/Valor Econômico via Revista INCorporativa (26/10/2009)

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