Incubadoras enfrentam dificuldades
As 65 incubadoras de empresas nascentes em operação no Estado de São Paulo enfrentam dificuldades financeiras para sobreviver. O problema vem se arrastando há cinco meses, desde que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP) deixou de realizar cursos e dar consultoria, entre outras ações de apoio às empresas incubadas. Os gestores das incubadoras esperavam que as atividades fossem retomadas, mas a decisão mais recente da entidade foi reduzir o orçamento destinado a essas ações. Com menos recursos à vista, muitas incubadoras ameaçam fechar as portas.
Em abril, o Sebrae-SP foi condenado pela Justiça do Trabalho por terceirizar parte dos serviços de treinamento e consultoria. Para não ser multada, a instituição cancelou convênios que mantinha no Estado. Com isso, cancelou cursos, treinamentos e serviços de consultoria que oferecia às empresas por meio das incubadoras. Procurada, a instituição não quis comentar o assunto, mas enviou uma nota informando que "cumpre integral e fielmente o que foi determinado pela Justiça do Trabalho". No dia 31 de agosto, o Sebrae-SP publicou um novo edital para contratação de serviços de apoio às empresas incubadas, "compatível com as limitações impostas pela Justiça do Trabalho", de acordo com a nota.
No novo edital, o Sebrae-SP anuncia que fará seleção dos pedidos de apoio das empresas incubadas, no total de R$ 20 milhões, que serão aplicados em 2011 (para o biênio 2009-2010, o orçamento era de R$ 100 milhões). Do total aprovado por projeto, 90% dos recursos ficarão com as empresas, que contratarão os serviços de consultoria e treinamento, e 10% serão repassados às incubadoras. Antes, todos os recursos ficavam a cargo das incubadoras.
"Há 12 anos, as incubadoras dependem dos recursos do Sebrae-SP para operar. A situação está caótica", afirma o superintendente executivo da Rede Paulista de Incubadoras, Vladimir Limeira. Ele observa que a maioria das incubadoras depende do apoio do Sebrae-SP, da prefeitura e da associação comercial local. Sem apoio financeiro, muitos gestores abandonaram os cargos. O presidente do conselho deliberativo da rede, Sérgio Risola, diz que em cerca de 30 incubadoras, o Sebrae-SP responde por 70% a 84% do orçamento. "O novo edital não atende às expectativas das incubadoras de normalização das atividades", diz Risola.
Entre as instituições em situação crítica está a Incubadora de Itu, que tinha 70% das despesas pagas com recursos do Sebrae-SP. Segundo Cláudio Bellon, gestor da incubadora, a instituição mantém as portas abertas, mas cancelou todos os cursos, trabalhos de consultoria e treinamento. Na próxima semana, representantes da prefeitura e da Associação Comercial reúnem-se para discutir o destino da incubadora.
A Incubadora de Limeira, que mantém 26 empresas iniciantes, passa por situação semelhante. Oscar Spagnol, gestor da incubadora há um mês, informou que a instituição também cancelou cursos, serviços de consultoria e participações em eventos. "Hoje, a incubadora só conta com recursos municipais e negocia parceria com universidades locais para continuar em operação", afirma Spagnol.
No Núcleo de Desenvolvimento Empresarial de Rio Claro, que mantém 13 empresas, a Associação Comercial e a Prefeitura de Rio Claro estão bancando os gastos da incubadora. Claudio Elisio Brochini, que assumiu como gestor há 30 dias, tenta negociar uma parceria com a Unesp para garantir a entrada de mais recursos.
Mesmo incubadoras menos dependentes do Sebrae-SP tiveram de reduzir gastos. O Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) tinha gasto mensal de R$ 180 mil. Sem o Sebrae-SP, reduziu para R$ 140 mil, diz o presidente da instituição, Cláudio Rodrigues. "A proposta do Sebrae de repasse de 10% dos recursos às incubadoras dificultará a sobrevivência de muitas delas", diz. O Cietec tem buscado parcerias com empresas para ampliar as fontes de recursos financeiros. Na semana passada, fechou acordo com a Nitroquímica e com a Interfarma.
Fonte: http://www.incorporativa.com.br/ (16/09/2010)








