Incubadoras para o futuro
Por José Octávio Armani Paschoal
Sempre fico muito empolgado quando vejo um produto de alta
tecnologia chegar ao mercado depois de ter nascido numa sala de aula ou
laboratório de uma universidade brasileira. Produtos atualmente
incorporados ao cotidiano das pessoas, como os chips, computadores ou
mesmo um celular, por exemplo, tiveram sua origem em instituições de
pesquisa e desenvolvimento, ou em incubadoras de empresas, ou seja, em
ambientes que estimulam a criação de novos produtos e serviços, que
disseminam o empreendendorismo e/ou fomentam a criação de novas
empresas. É um grande salto na capacidade humana de gerar conhecimentos e
transformá-los em riquezas. Esse fenômeno vem acontecendo com
freqüência crescente na região de São Carlos, interior de São Paulo,
onde, em decorrência da existência dos Campi da USP, UFSCar, EMBRAPA,
entre outros, há uma elevada concentração de doutores / Ph.D's, sendo 01
doutor para cada 160 habitantes - a média nacional é de um para cada
5.423 habitantes. É importante mencionar que, a primeira incubadora
brasileira foi criada no Município de São Carlos, no ano de 1984, numa
iniciativa que contou com a participação do Governo do Estado de São
Paulo, da Prefeitura do Município de São Carlos, entre vários outros
parceiros, que contribuíram para a concretização desta idéia. Desta
forma, existe atualmente, nesta região, uma vigorosa cultura de
incubadoras e geração de empresas, principalmente de base tecnológica.
As incubadoras surgiram de maneira espontânea. A experiência
pioneira e certamente a de maior sucesso nasceu no final dos anos 1940
na Califórnia (Estados Unidos), quando a Universidade de Stanford buscou
articular a produção de conhecimento científico à geração de novas
tecnologias. Essa iniciativa propiciou vários empreendimentos
bem-sucedidos, principalmente nos segmentos de micro-eletrônica, que
foram a origem do famoso "Vale do Silício". Tempos depois, o
entendimento de que a sinergia entre a pesquisa acadêmica e as
iniciativas empresariais potencializava o desenvolvimento tecnológico
levou universidades e empresas à criação de um sistema planejado.
Nasceram assim os parques tecnológicos, que se generalizaram pelo mundo a
partir dos anos 60. Atualmente, eles estão presentes de maneira muito
significativa nos EUA, na China, no Japão, na Europa e em Israel. No
Brasil, a experiência surgiu timidamente nos anos 70; hoje, empresas
originárias de incubadoras exportam para até para a NASA e tem suas
ações negociadas na Nasdaq, a bolsa americana de valores eletrônica.
Em todo o mundo existem cerca de três mil incubadoras - 800 delas
instaladas nos Estados Unidos. No Brasil, mesmo com muitos casos de
sucesso, o número de incubadoras ainda é pequeno - algo em torno de 400.
Cidades como São Carlos e outras, por serem pioneiras, são alguns
dos locais onde a presença delas se faz notar de maneira mais
significativa, principalmente nos últimos anos, quando o mercado de
tecnologia descobriu o Brasil. E essa descoberta conseguiu inverter a
tendência de "evasão de cérebros" existente até pouco tempo atrás, em
que os quadros mais qualificados das nossas universidades iam buscar
aperfeiçoamento e trabalho no exterior. Atualmente, ao contrário, muitos
estudantes e
executivos estrangeiros vêm para cá para compartilhar experiências
com universidades e empresas nacionais.
E São Carlos, que foi pioneira na implantação de incubadoras no
Brasil, prepara-se agora para entrar num patamar superior dessa
iniciativa. Trata-se do lançamento do Parque Eco-Tecnológico Damha, que
veio para viabilizar uma nova geração de iniciativas, incluindo a
instalação de uma incubadora de empresas de base tecnológica, de um
Núcleo de Inovação, além de um Centro de Pesquisa - CITESC-, entre
outros. O Parque Eco-Tecnológico Damha incorpora o conceito de
sustentabilidade às edificações e aos processos produtivos que serão
instalados no local, de modo a minimizar os impactos e a preservar o
meio ambiente. Desta forma, além do baixo impacto ambiental, o Parque
priorizará também a instalação de empresas que realizam pesquisas e/ou
desenvolvem produtos ou serviços, fortemente ligadas às universidades e
institutos de pesquisas, ou seja, empresas voltadas a transformar
conhecimento em negócios econômico, social e ambientalmente
sustentáveis.
Numa era de grandes desafios, países emergentes como o Brasil
despontam como portadores de alternativas globais. A cultura de criação
de parques tecnológicos e de incubadoras de empresas, essencial para o
desenvolvimento integrado de um país, ainda é pouco disseminada entre
nós, mas certamente temos todas as condições de desenvolvê-la numa
versão e visão mais moderna ainda. Assim, estaremos criando condições
para ingressarmos efetivamente no clube dos países mais avançados seja
do ponto de vista tecnológico, como social e ambientalmente
desenvolvidos.
Fonte: Revista INCorporativa (25/06/2010)








