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Indústria 4.0 é prioridade de Estado, mas fora do Brasil

Prioridade de Estado nos Estados Unidos e na Alemanha, a revolução da indústria possibilitada pela combinação das tecnologias digital, da informação e de produção é uma questão menor para o governo brasileiro, limitada a ações esparsas.

A assim chamada manufatura avançada foi lançada nos Estados Unidos pelo ex-presidente Barak Obama, em cerimônia na Casa Branca, e sua equivalente alemã, a indústria 4.0, é encabeçada pela chanceler Angela Merkel. Os dois mandatários visitaram fábricas com frequência para acompanhar o avanço dos programas, desde a sua implantação. Em Brasília, as ações do esvaziado Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços são, entretanto, pontuais e escassas.

“Após a consulta, no ano passado, a mais de 300 especialistas da sociedade civil, 65% deles representantes de empresas, a Política Nacional de Manufatura Avançada está em elaboração. Atualmente, são realizados estudos e a articulação com diferentes instituições para o seu lançamento no segundo semestre deste ano”, informou o MDIC a esta revista. Além disso, o ministério enviou pesquisadores aos Estados Unidos e à Alemanha para se inteirarem dos novos desenvolvimentos da indústria. 

Segundo o diretor-executivo de Tecnologia da Abimaq, João Alfredo Delgado, “na indústria 4.0, o problema não é tecnológico, pois todas as tecnologias são dominadas no mundo, o Brasil incluído. Articulá-las ao mesmo tempo, diz, é que é ‘o pulo do gato’, mas há empresas locais aptas para a missão”.

O País tem tanto integradoras de software (programas de computação), como a SKA e a PLMX, concorrentes da alemã Siemens e da francesa Dassault, quanto de hardware (máquinas), a exemplo da Totvs e da MCK, que disputam com a italiana Comal e a germânica Thyssenkrupp Engineering, entre outros participantes do segmento. Todas utilizam engenharia de integração brasileira. 

Grandes e médias indústrias locais avançam na fase 4.0, a começar por líderes setoriais como Embraer, Volkswagen, AmBev e Jeep, segundo o noticiário, mas a modernização ainda é um objetivo distante para a maioria das firmas. Uma das dificuldades da transição é superar a “cultura empresarial” ancorada no padrão de controles físicos da produção, por meio de papéis, mapas e formulários, e adotar o sistema digital.

Outra é obter financiamento a custos abaixo da lucratividade das empresas. Uma miragem, quando o governo, indiferente ao impacto de dois anos de recessão nas empresas, quer elevar os juros do financiamento de longo prazo do BNDES ao patamar das taxas elevadíssimas cobradas pelos bancos privados. 

O requisito mais importante, no entanto, é tornar a indústria 4.0 uma questão de Estado, julga Delgado. “O governo tem de assumir a liderança, é o presidente da República quem deve estar à frente do programa, mostram os exemplos dos países avançados.”

Enredado na Lava Jato, recordista de impopularidade e sob ataque crescente dos prejudicados pela eliminação de direitos sociais, o Executivo não parece, porém, em condições de assumir o papel sugerido. 

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Fonte: https://www.cartacapital.com.br/revista/945/industria-40-e-prioridade-de-estado-mas-fora-do-brasil

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