Indústria está pronta para os 5%
A indústria tem condições de suportar um crescimento de 5% da economia este ano, sem gargalos de produção e pressão de preços. Além da ociosidade no uso da capacidade de produção e da facilidade das importações em razão do real valorizado, os investimentos cresceram 6,3% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2006, especialmente em máquinas e equipamentos, e houve ganhos de produtividade nos últimos anos. O principal obstáculo para atingir a meta traçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o crescimento do PIB é a deficiência na infra-estrutura do País, concordam os economistas.
Em outubro, um mês tradicionalmente de pico de
produção, a indústria brasileira de transformação ocupou 84,2% da sua
capacidade disponível, segundo a Sondagem Conjuntural da Indústria de
Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice é pouco
superior à média dos últimos dez anos para o período, que foi de 82,5%.
'Se a média estivesse entre 90% e 95% da capacidade instalada seria
preocupante', diz o economista do Instituto Brasileiro de Economia
(Ibre)da FGV, Fernando Holanda Barbosa Filho.
De acordo com a
sondagem da FGV, que consultou mais de mil indústrias em todo o País,
oito dos 13 setores pesquisados trabalhavam em outubro de 2006 acima da
média da capacidade instalada de produção dos últimos dez anos. Entre
os setores pressionados, Barbosa Filho, destaca a metalurgia e as
matérias plásticas.
O uso da capacidade instalada da metalurgia
em outubro era de 92,3%, ante a média de dez anos de 89,6%. A indústria
de matérias plásticas usava em outubro 84,4% da sua capacidade de
produção, ante uma média de dez anos de 82,7%.
O economista
observa que são exatamente os setores mais pressionados que também
pretendem ampliar os investimentos em 2007. Segundo a sondagem, 63% das
metalúrgicas consultadas planejam ampliar os investimentos este ano. Em
2006, esse indicador era 59%. Em contrapartida, apenas 14% das
companhias desse setor pretendem reduzir investimentos em 2007, ante
26% no ano passado. No caso das matérias plásticas, 51% das empresas
planejam ampliar os investimentos em 2007, ante 34% no ano passado.
Outro
destaque é o setor de papel e celulose que em outubro ocupava 92,8% da
capacidade instalada, um pouco abaixo da média de dez anos de 93,1%.
Barbosa Filho lembra que esse setor trabalha quase sempre à plena carga
e mantém um ritmo de investimento elevado: 46% das empresas pretendem
aumentar a aplicação de recursos no aumento da capacidade de produção
este ano, ante 26% em 2006.
'A indústria está preparada para um
crescimento de 5% do PIB, mas o País não', afirma o economista do Ibre,
fazendo alusão aos obstáculos da infra-estrutura. Essa avaliação é
compartilhada pela economista-chefe do ABN-Amro Brasil, Zeina Latif. Os
problemas estão concentrados na infra-estrutura, na energia elétrica e
nos transportes. Isso deverá encarecer os custos de produção da
indústria a médio prazo, observa Zeina.
Segundo a economista, há
ociosidade na indústria e vai continuar tendo por um bom tempo em razão
da expansão dos investimentos. Braulio Borges, economista da LCA
Consultores, ressalta que para um aumento estimado pela consultoria de
2,7% do PIB em 2006, os investimentos cresceram 6,3%, com a expansão de
8,6% nas máquinas e equipamentos. 'A capacidade de produção cresce num
ritmo relativamente forte.' Borges lembra também que existe um
intervalo de três a seis meses para que o investimento, especialmente
em máquinas, se transforme em capacidade produtiva.
Outro fator
que deve contribuir para não haver gargalos na oferta se o País ganhar
um ritmo de crescimento acelerado é o ganho de produtividade. 'A
produtividade da indústria cresceu muito de 2005 para cá', diz Borges.
Zeina faz uma análise semelhante e observa que um índice de 20% de
ociosidade hoje na indústria representa muito mais do que o mesmo
indicador nos anos 70.
Fonte: http://si.knowtec.com:8080/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=3084&idcontato=1810&origem=fiqueatento&nomeCliente=FUNCEX&data=2007-01-07 - 07/01/2007








