Indústria gaúcha tem baixo nível tecnológico
Setor moveleiro está entre os segmentos que menos investe.
Um estudo realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado na quinta-feira pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), apontou que a produção industrial gaúcha é dominada por setores de baixa intensidade tecnológica (IT). As indústrias coureiro-calçadistas, de fumo e móveis são as que menos gastam com atividades de pesquisa e desenvolvimento, o que faz com que 44,1% da produção industrial gaúcha esteja nos níveis de baixa IT.
O economista da FEE Martinho Lazzari explica que essa classificação se justifica em função do perfil desses setores, mais tradicionais, baseados na utilização de mão de obra em detrimento da tecnologia. “Não temos como botar um chip num calçado. Essas empresas podem se diferenciar pelo design, pelo tipo de material usado, mas tem pouco espaço para crescer em alta tecnologia”, explica o especialista. Lazzari destaca que uma das únicas vantagens nesse contexto é a maior manutenção de postos de emprego em empresas com esse perfil.
Apesar do resultado negativo como destaque, o Estado se classifica bem no quesito média-alta intensidade tecnológica, com 34,1% de participação. Esse índice se deve à existência de plantas importantes de produtos químicos e de máquinas e equipamentos agrícolas. “O principal mercado para os produtos gaúchos é a América Latina, especialmente a Argentina”, diz Lazzari. O Estado encontra-se em terceiro lugar no número de indústrias que aplicam média-baixa intensidade tecnológica. Os principais setores dessa classe são refino de petróleo e siderurgia.
Os setores com alta intensidade tecnológica, que no Estado correspondem a 2,6% da produção industrial, graças à presença de indústrias de equipamentos de automação industrial. “Quanto maior a IT, mais mercados se conseguem, melhores preços pelos produtos, melhores salários para os funcionários”, aponta Lazzari. Quanto às exportações industriais do Rio Grande do Sul, em 2007, apenas 1,4% da produção se enquadrada como de alta tecnologia, 31,1% como média-alta, 9,2% como média-baixa e 58,3% como baixa.
A FEE divulgou ainda um levantamento sobre as principais fontes de informação para inovações tecnológicas na indústria extrativista e de transformação. O grande destaque ficou por conta da participação dos consumidores na definição sobre os tipos de inovações a serem adotados pelas indústrias, com 70,1% de participação. “Há uma tendência mundial do open inovation, ou seja, uma abertura das empresas para a opinião dos clientes”, disse o geógrafo responsável pela pesquisa, Iván Peyré Tartaruga.
Cerca de 37% das empresas gaúchas declararam que desenvolveram algum tipo de inovação entre 2003 e 2005, número superior a média brasileira, que chega a 33,4%. “O Rio Grande do Sul está em quinto lugar entre os 13 estados que mais inovam”, diz o pesquisador. Em segundo lugar, estão as feiras, exposições e fornecedores (65,2%) e áreas da própria empresa (64%). Um dado que preocupa o pesquisador se refere à baixa participação das universidades como definidora de inovações para as indústrias, com apenas 11,4%. “É o ambiente universitário que surgem as novidades com maior intensidade tecnológica. É preciso promover uma maior aproximação entre esse setor e as indústrias”, defende o geógrafo.
Fonte: Jornal do Comércio - RS








