Indústria paulista elege inovação como prioridade
Na 24ª edição do encontro anual da CIESP, entidade convoca empresários, pesquisadores e governo para debater P&D
São Paulo investe 1,5% do PIB estadual em pesquisa e desenvolvimento (P&D). A taxa é maior que a média nacional e coloca o estado à frente de países vizinhos da América Latina e das outras nações do Bric (Rússia, Índia e China). Mas a meta paulista é igualar o desempenho dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, e atingir 2,3% até 2020.
A inovação tecnológica é considerada indispensável no processo produtivo, mas ainda persistem gargalos que afetam a capacidade brasileira de inovar. E para ajudar a remover esse impasse, o Ciesp reunirá importantes agentes do processo e tratará o tema de forma estratégica em sua XXIV Convenção Anual, em São Paulo, no dia 30 de abril.
“A inovação é uma importante ferramenta para o setor produtivo. O Brasil passa por um processo de agregação de valor a seus produtos, e até mesmo os pequenos avanços tecnológicos podem ser um diferencial competitivo”, afirma Rafael Cervone Netto, 1° vice-presidente do Ciesp.
O evento dedicará a manhã do dia 30 para debater a “Inovação como fator de competitividade”, tema escolhido pelas empresas associadas como prioridade zero na indústria. Participam representantes ministeriais, governo estadual, executivos do BNDES e especialistas das principais universidades e institutos de pesquisa do Estado.
Na avaliação do Ciesp, há dois grandes gargalos que travam o desenvolvimento de novos produtos, novos processos produtivos e melhorias de gestão: a falta de informação sobre os mecanismos de incentivo existentes, que não chega na ponta, e o descolamento entre a indústria e o meio acadêmico.
A pesquisa aplicada, com foco no setor industrial, será objeto de um acordo de cooperação técnica entre o Ciesp e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). “É hora de tirar o tema do romantismo e levá-lo para o campo da prática”, analisa Fausto Cestari, 2° vice-presidente da entidade e um dos coordenadores da Convenção.
Pesquisa recente feita pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp constatou que a falta de informação sobre os serviços disponíveis nas universidades é um obstáculo à inovação para 35% das empresas.
Os instrumentos criados pelo governo federal, como a Lei de Inovação, a Lei do Bem e a Lei de Incentivo à Pesquisa favorecem esta parceria, mas ainda não são suficientes.
“Precisamos que o pesquisador esteja dentro das empresas. Muitas vezes se faz pesquisa de alto nível sem saber se aquilo é viável de ser produzido, ou se atende às necessidades e ao interesse da indústria”, ressalta Rafael Cervone. “Uma Convenção como essa tem também o objetivo de aproveitar a riqueza intelectual dos pesquisadores brasileiros e transformá-la em produtos de melhor índice tecnológico”, acrescenta.
Para Fausto Cestari, a década esportiva que se inicia para o Brasil, com a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, não poderá ser vencida sem o binômio inovação-tecnologia. Segundo ele, essa fase deve suceder a febre dos anos 90, quando a qualidade tornou-se fator determinante para saltar à frente da concorrência.
“Nos dias atuais, a certificação pelas normas de qualidade ISO tornou-se obrigação na empresa. Agora é preciso incorporar a cultura da inovação como fator competitivo”, avalia Cestari.
por Mariana Ribeiro, Agência Ciesp de Notícias
(29/04/2010)








