Inpa desenvolve chapa de folhas vegetais
Um tema bastante discutido atualmente é a necessidade de preservação das florestas e o uso dos recursos que as mesmas oferecem. No Amazonas, a exploração dos recursos florestais tem oferecido uma gama de produtos que vão além dos cosméticos e dos medicamentos.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(Inpa) desenvolveram uma ‘chapa’ de folhas vegetais que pode ser
utilizada na confecção de forros, divisórias, móveis e artefatos em
substituição a madeira sólida e seus derivados (aglomerado, compensado
e MDF), além de outros materiais como o PVC, o gesso e o isopor,
utilizados para acabamentos na construção civil.
Jadir de Souza Rocha, um dos inventores da chapa, afirma que a riqueza
da floresta amazônica não está somente na madeira das espécies arbóreas
e, portanto, outras matérias-primas florestais não madeireiras podem
ser transformadas em produtos de excelente qualidade e alternativas à
madeira.
- Isso pode contribuir substancialmente para diminuir a pressão sobre
as espécies economicamente desejáveis, cujos estoques são reduzidos
drasticamente pela ação da atividade madeireira na Região, além de
mencionar que essa situação é preocupante, pois ainda não existem
resultados que comprovem a eficácia do manejo florestal com as espécies
arbóreas da Amazônia, diz.
Matérias - Primas
Por ser um pesquisador da área de recursos florestais, Rocha revela que
ficava extremamente incomodado ao ver uma das matérias-primas mais
abundantes da natureza ser desperdiçada naturalmente e pela ação do
homem, que ainda adota a antiga e maléfica prática de atear fogo nas
folhas das árvores que são derrubadas nas áreas de assentamento, nas
chácaras, sítios, fazendas e até nos quintais dentro das zonas urbanas.
- Já tinha pensado em fazer a chapa, mas não queria que a tecnologia
desenvolvida pudesse ser aproveitada somente por indústrias com
capacidade de altos investimentos em equipamentos para produção das
chapas em larga escala. Era preciso encontrar alternativas que
contemplassem também as micros e pequenas empresas, explica.
Para isso, o pesquisador conta que teria de encontrar uma excelente
resina que além de proporcionar o aumento da vida útil das chapas
possibilitasse a ‘cura’ do material em espaços de tempo não tão
grandes, utilizando prensas que não dispõem de sistema a quente e cujos
preços de aquisição são mais acessíveis.
- A resina foi encontrada e o processo de transformar as folhas em chapas foi iniciado, conta.
Opções de Prensagem
Rocha explica que no processo de confecção da chapa podem ser
aproveitadas folhas de espécies arbóreas, de frutíferas, de palmeiras,
de ervas daninhas e plantas ornamentais.
- Primeiramente as folhas passam pela operação de trituração para
obtenção de pequenas partículas, podendo ser secas ao ar livre ou em
estufas. Posteriormente, é feita a formação de um colchão de partículas
com aglutinação de resina sintética e fibra de vidro, relata.
O processo oferece duas opções de prensagem, a frio e a seco. No
primeiro caso, não necessita de prensa com sistema a quente, sendo
utilizadas resina de laminação, fibra de vidro, com adição de
catalisador e pressão.
- Este processo de ‘cura’ da chapa é relativamente lento e a produção
se dá em pequena escala. No segundo, dispensa o uso de resina de
laminação e catalisador, passando-se a usar resinas sintéticas, fibra
de vidro e ação conjunta de temperatura e pressão. A produção das
chapas é muito rápida podendo-se atender grandes demandas, salienta.
Qualidade
Qualidade e versatilidade das chapas - Rocha ressalta que a qualidade
do material depende dos tipos de folhas. Ele cita como exemplos, as
folhas das palmeiras que são muito resistentes ao rasgo na direção
transversal às fibras.
- Nas outras espécies podem ser encontradas folhas bem espessas e de
superfícies super lisas, cujas características são indicadoras de
grande resistência ao rasgo, folhas sem tais as características, não
são recomendadas, afirma.
Rocha acrescenta que no processo de confecção é possível se obter
chapas com a leveza da espécie arbórea, pau-de-balsa ou mesmo com a
densidade da tão pesada maçaranduba.
- As chapas oferecem resistência mecânica satisfatória, boa durabilidade, bom acabamento e excelente visual.
Fonte: Diário do Amazonas- JK








