Itapuí faz móveis sem agredir ambiente
Marceneiro transforma sobras de madeira em mobiliário numa produção que privilegia o desenvolvimento sustentável.
Itapuí -
Seguindo o lema “menos é mais”, um marceneiro de Itapuí (44 quilômetros
de Bauru) transforma restos de madeiras em móveis sem agredir a
natureza. Geraldo Pachieli Júnior, 47 anos, desde os 7 aprendeu a dar
uma nova “vida” às árvores sem precisar cortá-las.
Ele iniciou a profissão de marceneiro com o pai e, desde então, mantém
sua família, mulher e filho, com o que produz. São móveis artesanais
personalizados, produzidos a partir de restos de madeiras recolhidos em
fábricas ou fazendas de Itapuí.
Na oficina montada por Geraldo, no Distrito Industrial, são criadas as
peças que ele leva de uma a duas semanas para deixar pronta com a ajuda
do irmão. “Eu sou um marceneiro diferente. Eu não compro nada. Eu só
uso o que as fábricas jogam fora. Toda a madeira que eles jogam, eu
aproveito e faço móveis”, orgulha-se.
Geraldo, que preside a Organização Não Governamental (ONG) Bica de
Pedra, lembra que praticamente o único gasto que tem na produção dos
móveis é com a eletricidade consumida pelo torno, serra e plaina. Ele
também evita usar produtos químicos e prefere encerar as peças ao invés
de envernizá-las.
“É um trabalho artesanal, não é produção em série. É um móvel de cada
vez”, ressalta. Entre os móveis produzidos por Geraldo estão cadeiras,
mesas, armários e guarda-louças. “Eu gosto de fazer móveis clássicos.
Cadeira e mesa com pés torneados”, diz.
A matéria-prima utilizada por ele é formada por restos de madeiras
dispensados por fábricas, por troncos de árvores ou madeiras de casas
antigas derrubadas em fazendas.
“Essas madeiras vão para a caldeira. Aqui em Itapuí tem bastante
abatedores de aves. Eu dou uma segunda vida para ela, uma oportunidade
para ela ficar servindo como móvel para uma pessoa”, avalia.
A filosofia de vida de Geraldo é baseada na máxima “menos é mais”. “A
minha filosofia é aproveitar, gastar pouco, para sobrar mais tempo. Eu
não preciso produzir muita coisa. Eu não preciso ganhar muito, eu
preciso é gastar pouco. Quando se gasta pouco, não tem que se ganhar
muito”, detalha.
O marceneiro fabrica as peças sob encomenda e também expõe na própria
marcenaria para que as pessoas possam vê-las e comprá-las.
Geraldo lembra que, além de não precisar cortar árvores para produzir
os móveis que produz, ele também ajuda a reflorestar a natureza
plantando mudas através da ONG que preside.
A produção de Geraldo, apesar de pequena e artesanal, pode ser
enquadrada no que é conhecido hoje como desenvolvimento sustentável. Ou
seja, produzir sem danificar a natureza ou recompondo-a.
“Até este ponto que eu já tenho trabalhado, acho que já fiz a minha parte (para ajudar a preservar a natureza)”, conclui.
Fonte: <http://www.jcnet.com.br> 17/06/2008








