Lei da micro empresa ajuda a "destravar" o país, afirma Lula
A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa irá ajudar a "destravar" o país. No entanto, o Brasil precisa de outros mecanismos que facilitem o investimento. A avaliação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a cerimônia de sanção da lei.
"Ela vai melhorar a vida de milhões de pequenas empresas. Vai facilitar o
pagamento de impostos. Vai diminuir a economia informal. Agora precisamos criar
outros mecanismos para continuar destravando o Brasil. Eu penso que o Brasil
perdeu oportunidades históricas no século 20. Perdeu no século 19. Nós não temos
o direito de perder nenhuma oportunidade no século 21. (...) O que nós
precisamos é modernizar o país para facilitar a vida das pessoas que querem
investir para gerar postos de trabalho", disse.
A expectativa do governo
é que a Lei Geral permita a criação ou formalização de 1 milhão de empresas e,
com isso, a geração de 2 milhões a 3 milhões de empregos formais.
Para a
CNI (Confederação Nacional da Indústria), a lei garante um melhor ambiente de
negócios no país para as micro e pequenas empresas.
"É um marco amplo
que aponta para a criação de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das
micro e pequenas empresas. Ela contempla desburocratização, simplificação e
desoneração tributária. Então, é algo que corresponde a um avanço", disse
Armando Monteiro Neto, presidente da entidade.
No entanto, apesar de a
lei ser considerada como positiva para a melhora do ambiente de negócios no
país, entidades que representam as micro e pequenas empresas cobram do governo a
continuidade desse processo.
Para Joseph Couri, presidente do Simpi
(Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo), é preciso
corrigir algumas distorções da lei que foi sancionada hoje, como o fato de o
sócio responder pelas questões trabalhistas de sua empresa.
"Isso é um
equívoco. Porque só para a micro e pequena empresa? Isso precisa ser corrigido",
disse.
Já para Milton Antonio Bogus, diretor do Departamento de Micro e
Pequenas Empresas da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), algumas
questões precisam ser esclarecidas para entrarem em vigor de fato. Entre elas,
ele cita a unificação dos cadastros, a flexibilização da fiscalização e a
simplificação do processo de abertura das empresas. 'Talvez isso exija uma lei
complementar.'
A Lei Geral
Conhecido como Supersimples, a
lei estabelece um regime tributário diferenciado que prevê a unificação e
simplificação de seis impostos e contribuições federais (IRPJ, PIS, Cofins, IPI,
CSL e INSS), além do ICMS (Estados) e ISS (municípios), para as micro e pequenas
empresas que faturam até R$ 2,4 milhões por ano.
As alíquotas nesse
sistema variam de acordo com o faturamento da empresa e vão de 4% a 11,61% no
comércio. Há acréscimos para as indústrias (meio ponto percentual) e para as
empresas do setor de serviços --50% a mais do que é cobrado do
comércio.
Um acordo no Congresso permitiu que a parte tributária da lei
tenha início apenas em 1º de julho de 2007. Com isso, a renúncia fiscal prevista
para R$ 5,4 bilhões ao ano deve cair pela metade em 2007. Os demais artigos da
lei entram em vigor em breve, embora ainda existam itens que dependem de
regulamentação.
A postergação da parte tributária ocorreu porque Estados
e a Receita Federal alegaram que não haveria tempo hábil para desenvolver o
sistema de arrecadação.
Além da parte tributária, a lei também simplifica
o processo de abertura das empresas e lhes dá preferência na participação de
licitações públicas de até R$ 80 mil. Também permite que autônomos façam um
recolhimento menor ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Fonte: ANA PAULA RIBEIRO, da Folha Online, em Brasília 15/12/2006








