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Madeira com design

O Brasil é hoje um país referência em móveis de madeira, graças ao trabalho de designers pioneiros das décadas de 50 e 60 .

Madeira com design

Cadeira de Sérgio Rodrigues

O desenho de produto, especialmente o de mobiliário, constitui uma das manifestações iniciais do design brasileiro. E vários de seus pioneiros, como Joaquim Tenreiro, Sérgio Rodrigues, Zanine, Jorge Zalszupin, marcaram época. Eles integram a chamada geração histórica, que ainda hoje é referência para a produção atual, sobretudo no que diz respeito ao uso da madeira, a matéria-prima que diferencia o produto brasileiro no cenário internacional. 

É a partir das décadas de 50 e 60, que surge o mobiliário mais valorizado e desejado atualmente no exterior. O feito se deve tanto à qualidade da madeira utilizada, caso do jacarandá, quanto da manufatura, segundo o antiquário Ralf Eduardo Rappel. À frente da loja Undergallery, o empresário possui um acervo rico em peças originais de grandes nomes do design.

Segundo a arquiteta Sabrina Strella, o trabalho realizado por esses profissionais é referência no país em termos de design com madeira, porque eles eram mais do que designers, eram artistas. “Essa geração é sinônimo de bom gosto e sofisticação, atrelando funcionalidade e estética a cada peça”, afirma. Ela explica que móveis com design destacam o ambiente, pois geralmente são peças bem-elaboradas e conceituadas, características que valorizam suas formas.

Quanto ao seu designer predileto, Strella destaca as peças de Joaquim Tenreiro. “Suas cadeiras são fantásticas e agregam valor a qualquer espaço”, revela. Já em relação aos trabalhos contemporâneos, a arquiteta tem predileção pela designer Etel Carmona. “Ela trabalha com a madeira de uma forma incrível, tornando-a leve. Além da arte, tem uma grande preocupação ambiental, fazendo parte de uma cooperativa no Acre com madeiras de reflorestamento”, ressalta.

Em 1961, quando chegou a Brasília, o arquiteto César Barney foi apresentado ao sobrinho de Sérgio Rodrigues. “Comprei várias peças. Por sinal, fui o primeiro comprador de Sérgio Rodrigues, em Brasília”, lembra. Do artista, Barney possui em sua casa peças como a cadeira Lúcio Costa, a mesa Juá, banquetas Magrine e poltrona Sérgio Parati. “Tenho uma filha que trabalha com o Philippe Starck. Ela me contou que no ano passado, Starck desenvolveu o projeto de um hotel em São Paulo e usou móveis do Sérgio”, relata. Dos grandes nomes do design brasileiro atual, César destaca o artista Severiano Mário Porto. “Curiosamente, ele é reconhecido fora do Brasil, mas em nosso país poucos falam de sua obra”, diz ele.

A estética de Sérgio Rodrigues

Dentre as peças com design reconhecido internacionalmente, uma merece especial atenção. Trata-se da poltrona mole, de Sérgio Rodrigues. Conhecida como Sheriff ou Ipanema, a peça datada de 1957 recebeu o primeiro prêmio no Concurso Internacional do Móvel em Cantù, Itália, em 1964. O design se destacou entre os projetos dos mais de 400 convidados de 35 países. O móvel foi produzido na Itália pela Bergamo, que a exportou para vários países. 

Antes da premiação, Sérgio organizou a exposição Móveis como Objeto de Arte, e a poltrona Mole não foi bem recebida. Um ano após o lançamento, a Oca (empresa do designer) recebeu várias encomendas da poltrona, que foi ganhando seu lugar no mercado. Não era a peça mais vendida da loja, mas apresentou certa evidência no show-room, afinal, ela burlava os padrões reinantes: aos delgados e elegantes pés-palito ela apresentou a grossura e robustez da madeira brasileira. Nesse sentido, Sérgio antecipou a “estética da grossura”, que, posteriormente, foi a base de alguns movimentos da vanguarda engajada nos anos 60.



Fonte: Diana Leiko Jornal da Comunidade <http://www.madeiratotal.com.br/noticia.php?id=72673> 13/09/2008

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