Mercado externo sustenta a venda de máquinas nacionais
Empresas brasileiras de máquinas-ferramenta, como a Romi, a Ergomat e a Maquenge, estão se voltando ao mercado externo e buscando parcerias com indústrias de países como Alemanha, França, Espanha, Estados Unidos e China.
Nos últimos seis meses, visando
ampliar vendas ao exterior e conseguir competitividade internacional, as indústrias
inovaram seus produtos e ampliando a capacidade das fábricas.
Em 2006, o setor já aumentou em 10,3% (em dólares) as
exportações, enquanto as vendas para o mercado interno registraram um leve
recuo. Com novas parcerias, a expectativa do segmento é de que este ano o
crescimento das exportações seja ainda maior.
De acordo com Newton de Mello, presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), foram as vendas
para o mercado externo as responsáveis pelo fato de o segmento não ter
resultados ainda piores em 2006, quando registrou um recuo de 1,9%.
Atualmente, a Ergomat sofre concorrência direta de países
asiáticos como o Japão, Coréia e Taiwan no mercado interno. Para driblar estes
problemas, além de usar métodos tradicionais, como a aproximação com o cliente,
redução de custos, aumento de produtividade e atendimento eficiente às demandas
específicas, a empresa está ampliando suas exportações na Europa, continente em
que mantém parceria há alguns anos.
A empresa, que exporta para França, Itália, Suícia,
Holanda, Portugal e especialmente para a Alemanha, tem de 20% a 25% de sua
produção voltados para a exportação, mas prevê aumentar esse volume para 30%
2007 devido A boa demanda internacional já no inácio do ano. “Este ano temos
chance real de ampliar as vendas e de chegar a 30% s� para o mercado externo”,
diz Andreas Meister, diretor presidente da companhia.
Os maiores clientes da empresa são os fabricantes de
componentes, como as tornearias automáticas. Elas comercializam o commodity
brasileiro com a indústria automobilística, de eletrodomésticos, eletroeletrônica
e de instrumentos medicinais. Segundo Meister, eles não podem se dar ao luxo de
não investir constantemente em novos meios de produção. “Não reagimos em função
do mercado. Sabemos o que precisamos para produzir de forma mais eficiente”,
afirma.
A Maquenge, que ainda não exporta, vê em 2007 o momento
oportuno para começar a investir no mercado internacional. Segundo Sérgio Cruz,
diretor da empresa, o mercado interno é muito inconstante e é preciso ir atrás
de novas oportunidades. “Ao invés de torcer para que o câmbio mude, nós é que
temos de inovar”, diz.
A empresa decidiu investir em 2006 na mudança do
projeto da Retífica Centerless, máquina-ferramenta que foi reconstruída visando
o mercado externo. O produto, cujo valor é 40% inferior aos similares
internacionais, será negociado para comercialização nos Estados Unidos, China e
Europa. A Maquenge já mantém contato com fabricantes de máquinas e equipamentos
da Alemanha, Itália e Espanha, cujas empresas farão a revenda do artigo
brasileiro para a indústria de autopeçaas, motores, ferramentas e rolamentos.
A estratégia da companhia é entrar em um segmento em
que há carência de fabricantes que proporcionem máquinas de qualidade e alta
tecnologia, o que impulsionar à um crescimento de mais de 400% na sua produção.
Hoje, a empresa produz cerca de 10 máquinas por ano, e com os novos negócios
deve chegar a 40 unidades.
A expectativa da Romi em 2007 também é de aumentar seu
market share internacional. Hoje, as exportações representam 20% de sua produção,
mas a empresa espera que esse número seja maior este ano, batendo os 25%. A
companhia levar à EMO Hannover 2007,
a maior feira mundial do setor que será realizada em
setembro, lançamentos como tornos de alta produção da linha E, que agora
possuem automação acoplada e tornos de múltiplas aplicações. Assim, espera
fechar contratos com indústrias da China e dos Estados Unidos ainda este ano.
Por enquanto, negocia com Alemanha, Itália e Espanha.
De acordo com Mario Knoll, gerente de Vendas e de
Exportação da Romi, a empresa aumentará a capacidade de produção da fábrica na
sede de Santa Bárbara d’Oeste, cidade do interior paulista, com o objetivo de
atender com mais precisão às demandas do mercado. A planta vai ser duplicada e
será construído um ambiente com temperatura controlada, que permitirá a fabricação
das máquinas dentro dos padrões de qualidade, além de possibilitar a redução de
custos.
Segundo Mello, crescimento contínuo das exportações de
máquinas e equipamentos coloca o Brasil entre os players mundiais de máquinas,
ocupando a 20° posição entre os exportadores globais. Os líderes do ranking são
Alemanha, Estados Unidos, Japão, Itália e Reino Unido.
Fonte: Ana Paula Camargo – Diário Comércio, Indústria & Serviços – 09/02/2007








