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Mesmo com incentivo, bens de capital devem cair 20%

Mesmo com a chegada do pacote de incentivos para o setor de bens de capital, as fabricantes deverão registrar queda, no fechamento do ano, de 20% na comparação com o ano passado, segundo projeção da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Sem o programa - já batizado de pró-investimento - a retração até dezembro pode chegar a 25%. "Nós queremos, com a medida, incentivar aqueles que estão postergando investimentos que os façam agora", afirmou o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, que salientou que os investimentos poderão ficar cerca de 20% mais baratos com o pacote.

A Abimaq espera que com o anúncio do programa na próxima segunda-feira a carteira de pedidos seja incrementada. "Os pedidos impactarão de fato a indústria em um prazo de aproximadamente seis meses. Essa medida será uma ponte para 2010", disse o executivo, que estará segunda em Brasília para o anúncio oficial.

A abimaq já admite que o governo não quer mais mexer em sua arrecadação - conforme já adiantou o DCI - mas afirmou que os pleitos da entidade "não são de renúncia fiscal". "Queremos que os investimentos saiam da gaveta. O programa deve ter data para começar e para terminar", destacou Aubert Neto, lembrando que as medidas deverão se estender por um período de seis meses a um ano para surtirem efeito. "O que o governo terá é um encargo financeiro, o que não será nem 20% do que teve com a redução do IPI para a linha branca e veículos", disse.

A associação aguarda que o pacote contemple melhora das linhas de financiamentos do BNDES e liberação imediata dos créditos do PIS e Cofins. "Nós queremos que as empresas fiquem mais capitalizadas", afirmou o executivo. Ele lembrou que a desoneração dos investimentos continuará na pauta do setor neste momento, e admitiu ser necessário uma reforma tributária para essa demanda.

O presidente da Abimaq contou que as reivindicações junto ao governo começaram a caminhar depois que a entidade firmou acordo com sindicatos dos trabalhadores para a preservação do nível de empregos caso o governo crie o pacote de incentivos. O executivo disse que muito se cobra do governo federal, mas que o governo estadual também deve se movimentar para ajudar na retomada do setor. "Eles [governos estaduais] estão no cantinho deles", afirmou Aubert Neto.

Histórico

A indústria de bens de capital foi fortemente afetada em todo o mundo por conta do atraso dos investimentos do setor industrial. No Brasil, a queda não foi tão drástica como em outras partes do globo, mas o nível de utilização da capacidade produtiva sofreu retração basicamente devido à forte queda dos mercados externo, conforme mostrou o DCI em edição da última quarta-feira. No acumulado de janeiro a maio, as exportações caíram, em valor, 29,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a US$ 3,1 bilhões no período.

Os principais destinos das máquinas brasileiras, Estados Unidos e Argentina, caíram 35,8% e 29,8% respectivamente.

Mesmo com a chegada do pacote de incentivos para o setor de bens de capital, as fabricantes deverão registrar queda de 20% no fechamento do ano, na comparação com 2008.

Fonte: DCI

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