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Moveleiros gaúchos buscam destinação para resíduos

Preocupados com a preservação do meio ambiente, empreendedores de 20 micro e pequenas empresas do Núcleo de Moveleiros do Programa Empreender em Torres, distante 198 quilômetros de Porto Alegre, decidiram buscar alternativas para os resíduos de sua produção moveleira.

A decisão foi tomada durante reunião na última segunda-feira (4), na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), com o 2º Batalhão de Fiscalização Ambiental da Brigada Militar. As soluções encontradas foram o reaproveitamento, pela indústria da cachaça, do excedente da madeira utilizada na fabricação de móveis e construção de um depósito pavimentado para o MDF (chapa fabricada com fibras de madeiras e resinas sintéticas) e para a reciclagem de latas.
O Empreender, impulsionado pelo Sebrae no Rio Grande do Sul, em parceria com a CDL de Torres e a Prefeitura Municipal, orienta e sensibiliza empresas de uma mesma região e de um mesmo setor, com o objetivo de estimular a geração de emprego e renda, o associativismo e o aprimoramento gerencial.
As indústrias de Torres se deparam, em seus processos produtivos, com volumes cumulativos de resíduos que conflitam com as questões ambientais. A serragem, por exemplo, originada da operação das serras, pode chegar a 12% do volume total de matéria-prima.
Os cepilhos ou maravalhas, gerados pelas plainas, podem chegar a 20% do volume total de matéria-prima nas indústrias de beneficiamento. A lenha ou os cavacos, compostos por costaneiras, aparas, refilos, cascas e outros, podem chegar a 50% do volume total de matéria-prima nas serrarias e laminadoras.
Além disso, sobram os recipientes (latas) de outros materiais utilizados no processo de fabricação dos móveis e das esquadrias. “A melhor forma encontrada foi reunir todos os participantes para discutir o problema com a Brigada Militar e com a Prefeitura”, explica o facilitador do programa Empreender, Valdonir Gonçalves dos Santos.
O facilitador informa que, na segunda-feira (11), o núcleo vai se reunir com uma empresa para realizar o transporte para reciclagem, em São Paulo. Após, será realizada reunião com o Poder Público Municipal para discutir a criação de um depósito de aterro pavimentado para destinar a sobra de MDF.
Em seguida, os moveleiros irão se encontrar com a Associação Rio-grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e produtores de cachaça da região para ver o interesse do grupo em reaproveitar os resíduos de madeiras na combustão dos alambiques.
Marcos Pinho, proprietário da fábrica de móveis Centenarte, afirma que o processo para colocar em prática as alternativas definidas ainda é longo. “A primeira reunião foi mais para conhecermos os responsáveis pela fiscalização e recebermos instruções básicas sobre como dar um destino correto”, lembra. Segundo ele, é preciso desenvolver ainda mais as parcerias, pois o empresário sozinho não tem condições financeiras de arcar com a destinação.
O Programa Empreender, implantado em janeiro de 2005 em Torres, atende a núcleos dos segmentos da indústria de confecções, minimercados, automecânicas, vídeolocadoras, lojas de confecções e calçados, lojas de material de construção e farmácias.
O Núcleo de Confecção é um dos maiores do Estado, com 20 empresas e cerca de 120 costureiras que atuam como autônomas, a maioria sem registro como pessoa jurídica. Em outros projetos do Sebrae/RS, também com apoio da Prefeitura Municipal de Torres, são atendidos os segmentos de gastronomia, meios de hospedagem e artesanato, que tiveram sua origem no Empreender.

Fonte: Assessoria de Imprensa Sebrae no Rio Grande do Sul - Agência Sebrae de Noticias

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