O design brasileiro, sob a ótica europeia
Experiência é o que não falta para Huub Ubbens. O designer holandês, radicado na Itália, tem um extenso portfólio, que inclui criações de móveis, luminárias e objetos de decoração para importantes marcas, como Alessi, Magis e Lexon, entre outras. Além disso, ele já dirigiu os departamentos de design das empresas italianas Danese e Artemide. Em novembro, o premiado designer passou pelo Brasil para falar de sua trajetória para os estudantes do Istituto Europeo di Design, em São Paulo, e, em entrevista exclusiva, falou a Casa e Jardim sobre o design brasileiro. Fã dos trabalhos de Lina Bo Bardi, Ubbens faz um alerta para os jovens profissionais do país: “Este é o momento de dar um grande passo’”. Confira o bate-papo na íntegra:
Casa e Jardim – O senhor veio ao Brasil para falar aos estudantes sobre sua trajetória profissional. O que espera dos futuros designers do país?
Huub Ubbens – Este é o momento para o design brasileiro dar um grande passo, assim como tem feito a moda nos últimos dez anos. Apenas considere a riqueza da mistura cultural, a quantidade de matéria-prima disponível, o crescimento econômico, a indústria local, a mão de obra e a abordagem artística: assim, as enormes possibilidades ficam evidentes. Para isso, será essencial encontrar novas expressões específicas para o design nacional, baseado na pluralidade cultural. O que os irmãos Campana fazem atualmente é interessante, mas é apenas uma das possibilidades. Características específicas, típicas do design brasileiro em um futuro próximo, podem ser favoráveis ao meio ambiente e à sustentabilidade, porque isso é um elemento fundamental e estratégico. Criar e lançar marcas brasileiras será uma necessidade real. Assim, será possível obter a criação de uma cultura própria, que possa encontrar aceitação e reconhecimento nacional e internacional.
CJ – O que mais se destaca em nosso design, na sua opinião?
HU – Os trabalhos da arquiteta e designer Lina Bo Bardi são muito interessantes, porque contam a bonita história de uma jovem italiana que descobriu um país fascinante e completamente diferente. Um de seus méritos prinicipais é ser extremamente aberta para todas as formas de expressão cultural que encontrou no Brasil e conseguir traduzir esses aspectos culturais em criação, sem perder a identidade europeia.
CJ – Como é o processo de criação para o senhor?
HU – Minha inspiração vem, de um lado, ao observar o mundo contemporâneo, como um processo constante de tentar entender o que está acontecendo. Por outro lado, vem do mundo arcaico e da antropologia. Acho que posso dizer que esses dois pontos cronológicos fluem e inspiram meu trabalho.
CJ – O senhor já criou móveis, luminárias e objetos de decoração para marcas famosas na Europa. O seu processo de criação muda, dependendo da marca para a qual está trabalhando?
HU – O processo criativo acaba sendo basicamente o mesmo porque, a meu ver, o cliente está interessado justamente na criatividade pessoal e na maneira de pensar do designer.
CJ – Por que o senhor escolheu trabalhar com design?
HU – Meu principal interesse foi o homem e como, ao longo do tempo, ele se expressou no sentido artístico, no contexto cultural, em termos de arquitetura, paisagens, religiões, cerimônia, música, etc. O design, para mim, é um veículo de pesquisa, uma possibilidade contemporânea de entrar no psicológico da humanidade.
Fonte: Casa e Jardim (18/11/2009)








