O novo é mais do que bem-vindo
Para chegar a 2010 mais competitivas, as empresas precisam de gestão criativa e também de um ambiente externo mais favorável
Dois anos depois de sancionada, a chamada Lei da Inovação (10.973) pode ser vista como um avanço significativo no processo de integração da pesquisa científica e do ambiente produtivo para a promoção do desenvolvimento industrial. O Brasil evoluiu nessa direção e pode ganhar terreno mais depressa quando o ambiente dentro e fora das organizações for mais propício.
A nova legislação trouxe benefícios reais. Cabe às diferentes esferas do poder público e a suas agências de fomento apoiar a formação de alianças estratégicas e projetos de cooperação entre as empresas e as Instituições Científicas e Tecnológicos (ICT) com o objetivo de gerar produtos inovadores. Esse apoio se estende às redes internacionais de pesquisa e também às ações de empreendedorismo e criação de ambientes de inovação, inclusive incubadoras e parques tecnológicos.
Diferentes da Lei do Bem (11.196), que concede benefícios fiscais especialmente para as grandes empresas que declaram Imposto de Renda pelo regime de lucro real, a Lei da Inovação estimula a aproximação entre os universos acadêmico e empresarial também nas micros e pequenas. Os empreendedores podem, inclusive, compartilhar recursos, laboratórios, materiais e equipamentos com as ICTs. E a União, além disso, tem a possibilidade de participar minoritariamente do capital de empresas com esse perfil tecnológico.
A liberação
de recursos para o desenvolvimento de projetos de inovação
está mais ágil e simplificada. Há, portanto,
mais dinheiro para a inovação não somente
destinado às empresas.
As ICTs também conquistaram
a possibilidade de gerar recursos a partir de suas pesquisas e
desenvolvimentos cisntíficos.
Nesse novo ambiente criado pela Lei da Inovação, observou-se o surgimento das primeiras centelhas de criatividade aplicada – o real combustível da inovação. É preciso destacar, no entanto, que inovação não se faz apenas com os fatores externos. Para realmente inovar, uma organização tem de possuir os elementos operacionais, táticos e estratégicos necessários e, principalmente, tem de converter esse potencial em resultados econômicos.
Essa ótica, aliás, é de importância fundamental em qualquer abordagem de tema inovação. Compare-se, por exemplo, o histórico da tomada de decisões, o entendimento mercadológico e a gestão do conhecimento competitivode empresas como Varig, TAM e Gol. Com essa “fotografia” em mente, é possível entender quais dessas empresas adotaram a inovação nos processos e na estratégia competitiva e os resultados obtidos.
Em relação aos fatores externos, no entanto, além dos benefícios trazidos pela Lei da Inovação, entre 2004 e 2006, o quadro pouco contribuiu para que a gestão criativa verdadeiramente fosse inserida na agenda da maioria das empresas. A economia, embora mantida em fundamentos sólidos, não cresceu o esperado e as principais reformas foram adiadas. Esse não é um ambiente vigoroso para a criação de valor econômico orientado para a inovação e a maioria das organizações se limitou a lutar pela sobrevivência e não por vantagens competitivas sustentáveis.
Nos próximos quatro anos, o que se precisa é que os princípios da inovação sejam adotados também nas esferas governamentais, que as reformas se concretizem e que o Brasil cresça a taxas relevantes.
Fonte: Revista AMANHÃ, Novembro de 2006 n° 226 ano 21. Por Mauro Anderlini








