País deve ter eucalipto transgênico até 2011
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberou 12 experimentos de campo com variedades transgênicas de eucalipto.
A liberação planejada no ambiente é a última etapa da pesquisa antes do pedido
de liberação comercial. "Considerando o estágio atual das pesquisas, podemos
prever que o Brasil terá eucalipto transgênico aprovado comercialmente dentro de
dois a três anos", afirma, em nota, o farmacêutico, Giancarlo Pasquali, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Com isso, o País
poderia ampliar os ganhos que já obtém com o setor florestal, que atualmente,
movimenta US$ 28 bilhões, ou 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto), emprega 4,6
milhões de pessoas e gera um superávit comercial de US$ 4,7 bilhões. Os bons
números são atribuídos às condições climáticas e à tecnologia desenvolvida pelas
empresas e instituições de pesquisa do País.
Enquanto nos Estados Unidos
o custo de produção de uma tonelada de celulose é de US$ 304, no Brasil este
valor é de US$ 157. "As variedades transgênicas de eucalipto buscam aumentar a
qualidade da madeira, seja pelo aumento da quantidade de celulose, seja pela
alteração ou redução do teor de lignina", diz Pasquali. A lignina é o principal
complicador da extração de celulose de um eucalipto convencional. A substância
funciona como uma cola entre as fibras vegetais e tem que ser removida para
garantir a qualidade do produto final. O problema é que essa remoção é complexa,
envolve processos químicos, alto gasto de energia e provoca perdas de celulose.
Pasquali explica que, ao apresentar maior teor de celulose ou diminuir
as perdas dessa substância, os eucaliptos geneticamente modificados (GM)
aumentam a produtividade das florestas, já que a mesma área plantada passa a
render uma quantidade maior de celulose. A tecnologia possibilita também a
obtenção de árvores com crescimento mais rápido, resistentes a pragas e a
doenças e tolerantes a diversos tipos de estresse, como a seca e o frio. Além
disso, não existem espécies nativas de eucalipto no Brasil, motivo pelo qual não
há risco de cruzamento com árvores GM.
Fonte: InvestNews/Celulose Online 19/06/2008








