Pará - Verticalização da produção florestal gera mais empregos
Mas empresas do setor moveleiro enfrentam entraves para se instalar em novo distrito.
Em 2007, Paragominas implantou um distrito industrial para abrigar as
empresas do setor moveleiro. O município já percebe, desde 2001, os
resultados da instalação: a indústria local não pára de se expandir,
visando o desenvolvimento da produção local. Atualmente, de acordo com
a Associação Paraense das Indústrias de Móveis, Artefatos de Madeira e
Afins (Apimóveis), o setor gera 600 empregos diretos e três mil
indiretos no município.
'A implantação do distrito industrial consolida a verticalização da
produção florestal do município através da geração de mais emprego e
renda com menor necessidade de matéria-prima, porque transforma
serrarias em movelarias que passam a oferecer aos mercados interno e
externo produtos com maior qualidade', diz o prefeito de Paragominas,
Adnan Demachki. No município, a Prefeitura está realizando diversas
ações para garantir a sustentabilidade da produção madeireira, como
cadastramento das propriedades rurais e zoneamento ecológico-econômico,
dentro do projeto 'Município Verde', iniciado em março passado.
Mas as empresas do setor ainda enfrentam entraves para se instalar
no novo distrito industrial paraense. 'A ausência de incentivos fiscais
pelo Estado é um deles', explica Demachki. 'Isso reduz o nível de
competitividade das empresas do município em relação a outros pólos
moveleiros do país', completa. Além disso, disse Adnan, as empresas têm
dificuldades de acesso às linhas de crédito do Fundo para o
Desenvolvimento Sustentável da Base Produtiva do Estado do Pará, o
chamado 'Banco do Produtor', que foi criado pela Lei 6.345, de 28 de
dezembro de 2000. Os recursos do fundo são administrados pelo Banco do
Estado do Pará (Banpará).
A explicação é simples. As micro e pequenas empresas do setor
precisam das linhas de crédito para se mudar da sede do município para
a área do distrito industrial. A mudança significa, de fato, a ocupação
de 65 lotes já demarcados com a construção de galpões e escritórios,
além da compra e instalação de máquinas e equipamentos. 'Cada uma das
empresas deve gastar entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão com essa
transferência para o distrito industrial', estima o presidente da
Apimóveis, João Sabino Feitoza.
'É preciso que o governo do Estado encontre as soluções para esses
entraves', frisa o prefeito. A área de 100 hectares, onde foi instalado
o novo industrial paraense, foi desapropriada pela Prefeitura de
Paragominas. Os lotes demarcados representam apenas 1/3 da área.
Condomínio
O novo distrito é administrado por um condomínio formado por
representantes das empresas que são associadas à Apimóveis. A
instalação do condomínio, explica Feitoza, deve ocorrer em até 40 dias.
A área onde os lotes estão demarcados já tem infra-estrutura adequada
para a instalação das empresas como vias asfaltadas, rede de drenagem e
esgoto e iluminação. As obras da primeira etapa foram concluídas em
dezembro do ano passado.
O distrito industrial é um sonho antigo do pólo moveleiro de
Paragominas e começou a se tornar realidade em 2001, com uma parceria
entre o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a
Prefeitura do município, o governo do Estado, os empresários, o Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Câmara de Comércio de
Milão, na Itália.
Segundo o gestor de projetos finalísticos do escritório do Sebrae
em Paragominas, Igo Silva, o projeto 'Promos', como foi denominado,
garantiu a capacitação dos empresários e trabalhadores do setor e foi
desenvolvido de 2002 a 2006. 'O Sebrae fez várias ações como
consultorias, treinamentos, palestras, cursos, rodada de negócios e
acesso às feiras e exposições do setor moveleiro', diz. Mesmo com o
encerramento do 'Promos', que promoveu a cooperação tecnológica e de
gestão empresarial entre os fabricantes de móveis da Lombardia, região
localizada ao norte da Itália, e o setor moveleiro de Paragominas, as
ações de capacitação prosseguiram em 2007 e neste ano.
Fonte: O Liberal (Belém-PA) < http://www.ces.fgvsp.br>








