PEQUENAS EMPRESAS - Internacionalização e as empresas de pequeno porte
Estudo mostra que pequenas que usam tecnologia de informação (TI) vão melhor em seus negócios.
Nos últimos meses, as empresas espanholas têm ocupado o noticiário
nacional. No leilão pela concessão das rodovias federais, a empresa OHL
arrematou cinco dos sete trechos oferecidos, a também espanhola Acciona
levou outro trecho e apenas um ficou em mãos de um consórcio de
empresas brasileiras. No setor financeiro, ocorreu a compra do banco
ABN/Real por um consórcio do qual faz parte o Santander e o banco se
colocou em terceiro lugar no ranking brasileiro.
Se por um lado, a investida das empresas espanholas na América Latina
tem sido amplamente debatida, do outro lado do Atlântico, os
pesquisadores e responsáveis pela política econômica do país se
preocupam com a sustentabilidade do desenvolvimento espanhol. Observam
que a produtividade da Espanha é mais baixa (cerca de 20%) do que a
média da produtividade dos países da União Européia (UE), embora o
número de horas trabalhadas seja superior. Entre as causas se destacam:
a fraqueza do sistema de inovação, os baixos investimentos em pesquisa
e desenvolvimento, a baixa qualificação dos recursos humanos e os
fracos laços entre empresas, universidades e instituições públicas.
Questionam o fato de o desenvolvimento estar ancorado em um grupo
seleto de grandes empresas, com baixa participação das pequenas e
médias empresas (PME) no processo de internacionalização e no sistema
de inovação do país. Estas PME representam mais de 99% das empresas
espanholas e embora sejam as maiores empregadoras, vêm diminuindo de
importância para o Produto Interno Bruto (PIB) daquele país, destas
apenas 10% exportam. Três fatores são considerados chaves para melhorar
a competitividade destas empresas: o investimento em pesquisa e
desenvolvimento (P&D) e inovação, a internacionalização e a criação
de mecanismos de cooperação entre elas.
Já no caso da Itália, o cenário é diferente: as pequenas e médias
empresas são responsáveis por um terço das exportações do país (chegam
a exportar cerca de 50% de sua produção). São empresas inovadoras, que
interagem por meio de redes de cooperação industrial, exportando
produtos de alto valor agregado.
No caso brasileiro estamos mais próximos da Espanha do que da Itália.
Os estudos realizados pelo Sebrae mostram que embora as grandes
empresas representem apenas 9% das companhias exportadoras, elas são
responsáveis por 77% do valor das exportações do País. O movimento de
entrada e saída do mercado internacional das pequenas e mesmo das
médias empresas é grande, mostrando que esta ainda é uma aventura
arriscada.
Na pauta das exportações destas empresas predominam produtos
manufaturados e semimanufaturados, intensivos em mão- de-obra; os
produtos com uso mais intensivo em P&D têm uma participação muito
reduzida. E são produtos que se destinam a mercados pouco dinâmicos.
Olhando este segmento, sob uma óptica diferente, acabei de concluir um
estudo, com a pesquisadora , Ana Siqueira, sobre pequenas empresas de
serviço no Brasil e o uso de tecnologia de informação (TI), com uma
base de dados do IBGE. Analisando os resultados de 125 mil casos
observamos que as empresas que usam serviços de TI para desenvolver
seus negócios alcançam maior produtividade nos seus empreendimentos.
Quando o empresário , além da formação técnica, fez cursos em gestão de
empresas a produtividade do negócio aumenta ainda mais. Para esquentar
os dados "frios" do IBGE , resolvi fazer entrevistas para entender
melhor esses resultados. Pesquisei escritórios de contabilidade, de
pequeno porte, com idade semelhante , atuando em segmentos próximos,
porém com faturamento e produtividade bem diferentes. Foi interessante
observar, in loco, as diferentes estratégias adotadas pelos
empresários: Todos os escritórios precisam ter funcionários
tecnicamente confiáveis, mas têm dificuldades em retê-los pois as
pessoas, depois de um período inicial, aprendendo, preferem ir para um
grande escritório, que paga mais ou ainda abrir o seu próprio negócio.
A saída dos escritórios que estão com melhor performance é investir em
tecnologia de informação e na própria qualificação do empresário e dos
funcionários. Com isto estão abrindo novas frentes, crescendo e mesmo
se internacionalizando; ao acompanhar clientes para o exterior, por
exemplo, se internacionalizam também (um deles já tem um sócio em
Miami). A estratégia dos escritórios de menor produtividade, menor
faturamento é investir o mínimo em TI e procurar contratar pessoas mais
idosas, menos atrativas para o mercado de trabalho, porém "de
confiança".
Olhando assim o tecido empresarial brasileiro observamos como é
necessário investir nestas empresas e trabalhar políticas adequadas
para o seu desenvolvimento. Se as verde-amarelas empresas
multinacionais brasileiras, assim como as amarelo-vermelhas espanholas
brilham em outros territórios, do lado de cá é preciso fomentar o
empreendedorismo, a criação de novos negócios, o incentivo a inovação,
a profissionalização das pequenas e médias empresas.
Fonte: ASN <http://www.global21.com.br>








