Plástico transformado em madeira para móvel
A Imawood, desenvolvida pelas professoras Eloisa Mano e Elen Pacheco, do Instituto de Macromoléculas da UFRJ, é ideal para treliças, batentes e superfícies que receberão parafusos e dobradiças.
Estima-se que, no mundo, sejam descartadas 1 milhão de sacolas plásticas a cada minuto. Feitas de polietileno, têm um processo de degradação extremamente lento e impõem um custo alto ao meio ambiente. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram uma maneira de reutilizar a matéria, transformando as sacolas em madeira.
A Imawood, desenvolvida pelas professoras Eloisa Mano e Elen Pacheco, do Instituto de Macromoléculas da UFRJ, é ideal para treliças, batentes e superfícies que receberão parafusos e dobradiças.
- A Imawood não substituirá a madeira comum. Foi feita para trabalhar junto desse material - explica Eloisa. - No caso das dobradiças de armários e portas, por exemplo, a Imawood tem um desempenho melhor. Um parafuso ficará preso a vida inteira em uma placa de Imawood, enquanto muitas vezes quebra uma de madeira.
Antes de ser transformada em madeira, as sacolas são descontaminadas e separadas pelo tipo de fibra plástica. O material é derretido, misturado a proporções determinadas e resfriado sob a forma do objeto desejado ou em placas, que podem ser aplainadas, cortadas e moldadas como a madeira comum.
A Imawood é obtida pela mistura de 75% de polietilenos reciclados, também chamados de polietilenos de baixa densidade (LDPE), com 25% de polietilenos de alta densidade (HDPE).
- A cor natural é cinzenta, mas com um pouco de pigmento amarelo e vermelho é possível dar a ela a cor do jacarandá - assegura Eloisa.
Entre as vantagens da madeira plástica estão a maior impermeabilidade e resitência ao mofo e cupins.
Ainda não existem empresas no Brasil que fabriquem a Imawood.
- Não é viável abrir uma empresa, comprar máquinas e contratar empregados sem a certeza da disponibilidade da matéria-prima - avalia Eloisa. - É essencial que as prefeituras organizem um serviço de coleta seletiva para a produção em larga escala da Imawood.
O grande beneficiário da reciclagem das sacolas é o meio ambiente. Eloisa ressalta que a matéria-prima da Imawood é "o lixo de pior qualidade, aquele que ninguém quer".
- Se não forem reutilizadas, as sacolas acabam no fundo dos rios, abafando o plâncton que se deposita nesse assoalho - completa. - O plâncton é o primeiro nível da cadeia alimentar e qualquer prejuízo ali repercute em todos os animais.
Fonte: <http://www.gazeta.com.br/i>








