Produção de máquinas bate recorde
Apesar do câmbio desfavorável, tributação excessiva e da concorrência com os produtos chineses, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou em agosto recorde em receita, totalizando R$ 5,78 bilhões.
A cifra supera em 7,43% a marca anterior, obtida em agosto de 2005. No acumulado
do ano, o faturamento do setor atingiu R$ 39,7 bilhões, alta de 11,7% na
comparação com igual período do ano passado.
Dentre os 30 segmentos
representados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos
(Abimaq), o que apurou maior evolução foi o especializado em madeira, com
crescimento de 84,8%, seguido pelo de válvulas industriais (36,1%) e máquinas
agrícolas (35,8%). Na outra ponta, os equipamentos utilizados na indústria de
plásticos tiveram retração de 1,2% e as máquinas-ferramenta de 0,6%.
De
acordo com o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, estes são alguns dos
setores que mais sofrem com a concorrência chinesa. "Há cinco anos a China não
era nem o décimo colocado na nossa lista de importações. Atualmente, já ocupa a
quarta posição", lamenta. Até o final de agosto, as importações cresceram 34,3%
e atingiram US$ 9,7 bilhões.
Em relação às exportações, os dados da
entidade apontam para alta de 18,7% sobre igual intervalo de 2006. No total,
foram exportados US$ 6,4 bilhões. Os três principais destinos das máquinas
produzidas no Brasil são: Estados Unidos, Argentina e México. Aubert destaca
também a perda de 7,3% no total exportado para os EUA. No entanto, ainda não
está clara a causa desta queda. "Ou é reflexo da crise que os americanos passam,
ou eles estão trocando de fornecedor".
A alternativa, segundo ele, tem
sido ampliar os negócios com os vizinhos sul-americanos. "Aumentamos em, no
mínimo, 30% as exportações para Argentina, Peru, Colômbia e Venezuela", diz.
Outra iniciativa em debate na Abimaq é a criação de cooperativas para
aumentar o poder de barganha das pequenas e médias empresas com os principais
fornecedores. O presidente da associação voltou a pedir uma política industrial
eficiente no país. "Estamos crescendo no vácuo da economia mundial", ressalta.
Para ele, os resultados do real valorizado aparecerão daqui a dois ou três anos.
"Este câmbio é ruim até para quem importa equipamentos, pois vale mais trazer o
produto pronto".
Fonte: Valor Econômico <http://www.remade.com.br/pt/noticia.php?num=3571>








