Produto feito de plástico reciclado substitui o compensado de madeira em fibras metálicas
São outras formações de concreto, utilizações de plásticos e vidro, por exemplo, que ganham espaço nos canteiros de obra e permitem uma criatividade e ousadia maior ao conceber uma edificação.
Fortaleza cresce em ritmo acelerado e o avanço da cidade como grande
metrópole vai se percebendo, cada vez mais intensamente, no movimento de
verticalização em que se insere. Com isso, um dos setores da economia que mais
se beneficia é o da construção civil, que, para garantir o desenvolvimento da
capital, procura investir em inovações tecnológicas de engenharia de estruturas.
Soluções inteligentes e que, muitas vezes, seguem a atual máxima do
desenvolvimento sustentável já começam a ganhar espaço nas construções que vêm
se erguendo atualmente.
De acordo com o engenheiro e coordenador de
Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação
Superior (Secitece), Francisco Carvalho, a construção civil já consegue realizar
hoje, com posse de novos materiais e métodos de cálculo, edificações ou
construções há pouco impossíveis.
São outras formações de concreto,
utilizações de plásticos e vidro, por exemplo, que ganham espaço nos canteiros
de obra e permitem uma criatividade e ousadia maior ao conceber uma
edificação.
Contudo, tais construções que impressionam os olhos, como as
que podem ser vistas em países como Espanha, China, Japão e Alemanha, entre
outros, ainda se mostram distantes da realidade local.
´De coisa prática,
para nós, esses produtos ainda estão distantes. Esses instrumentos são usados
para edifícios, como os que Peiretti mostrou, de cerca de 500 metros. Aqui, o
maior edifício que temos, a Torre Quixadá, só chega a 80, 100 metros´, aponta o
engenheiro da Construtora Santo Amaro, Maurílio Medeiros de
Oliveira.
Alternativas
Mas, mesmo sem as ´superconstruções´ que
surgem por aí, Fortaleza já utiliza algumas modernas inovações de engenharia e,
mais, exporta tecnologia para outras cidades do País.
E um dos que vêm
encabeçando esta posição privilegiada é o engenheiro Joaquim Caracas,
sócio-diretor da Impacto Protensão. Ele, que é conhecido no meio como o
´Professor Pardal da engenharia´, criou o material conhecido como Plasterit, um
produto feito de plástico reciclado que substitui o compensado de madeira em
fibras metálicas de construção.
´Além de ser feito 100% de material
reciclado, ele é mais rápido de produzir. O que dois carpinteiros produzem hoje
de compensado em 12 horas, dois serventes fazem em 20 minutos´, afirma. A
novidade deu certo e, além de ter sido vencedora do Prêmio Finep de Inovação
Tecnológica do Nordeste, ganhou também o mercado. A Plasterit já vem sendo
utilizada por diversas construtoras do Estado e cidades como Rio de Janeiro,
Brasília, Salvador, Manaus, Recife, entre outras, já compram a idéia. ´Outra
vantagem, é que o compensado dura por 20 usos, enquanto que a Plasterit pode ser
utilizada por até 300 vezes´, acrescenta.
Além da Plasterit, Caracas
trouxe dos Estados Unidos a utilização do chamado concreto protendido, muito
utilizado em países desenvolvidos e que tem vantagem sobre o de tipo comum. O
engenheiro, que possui duas patentes na construção civil, tem oito outros
projetos na fila. ´Investir em tecnologia dá lucro´, garante.
Para o
engenheiro da Secitece Francisco Carvalho, que também é professor da
Universidade do Vale do Acaraú, essas tecnologias ganham na equação
custo-benefício. ´A construção, além de viabilizada, tem seu custo, muitas
vezes, saindo ainda mais barato´, destaca.
Entretanto, ele aponta para a
necessidade de parcerias entre universidades, órgãos públicos e o setor
produtivo para que se possa gerar investimentos nessas inovações.
Fonte: Diário do Nordeste <http://www.remade.com.br>








