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Profissionais de tecnologia estão em falta no mercado

O avanço acelerado da tecnologia está trazendo a necessidade urgente de novos profissionais qualificados para funções que até pouco tempo nem existiam. Ao passo que o desemprego triplicou de 1984 a 2007, entre os jovens dos 16 aos 20 anos, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o mercado de trabalho está repleto de vagas à espera de candidatos que não existem. Esta discrepância pode ser explicada pelo desconhecimento das autoridades, empresas e universidades, de como preparar o país para uma nova realidade.

O Brasil alcançou, no terceiro trimestre de 2009, mais de 170 milhões de clientes de telefonia móvel, 40 milhões de telefonia fixa e 7 milhões de clientes de TV por assinatura, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Este mercado, em franco crescimento, exige da estrutura interna do país, não só profissionais que desenvolvam novas soluções tecnológicas, como também uma sociedade informada que saiba operar e utilizar os produtos que compra.

O setor de telecomunicações responde por mais de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com uma receita operacional anual de cerca de R$ 187 bilhões. Promovida pelo Jornal do Brasil, a conferência As Novas Profissões das Telecomunicações e da Telefonia Celular, com o apoio da TIM e do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE-RJ), reuniu acadêmicos, profissionais de telecomunicação e integrante do governo para debater o que pode ser feito neste cenário.

O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, afirmou que primeiramente a sociedade precisa compreender as suas carências. Segundo ele, nem mesmo os políticos, quando procuram expandir os estabelecimentos de ensino de suas regiões, sabem o que de fato precisam.

– Há uma diferença grande entre ensino técnico e ensino profissionalizante – afirmou Cardoso, referindo-se à necessidade cada vez maior de cursos que qualifiquem profissionais para as áreas tecnológicas.

Cardoso também criticou o costume brasileiro de desqualificar algumas profissões. Para o secretário, todos os segmentos da sociedade são importantes e necessários.

– As pessoas precisam entender que fazer uma faculdade não é o único meio de ser bem sucedido profissionalmente – acrescentou o secretário. – Cursos técnicos e profissionalizantes são, às vezes, os únicos meios de aprendizado para determinadas funções.

O Rio de Janeiro tem hoje cerca de 25 mil estagiários e 3 mil aprendizes, informou o presidente do CIEE, Arnaldo Niskier. Mais de 5 milhões de jovens estão desempregados e 50% dos que conseguem emprego não conseguem carteira assinada.

– A ilusão do emprego a qualquer custo leva muita gente a abandonar precocemente a escola – constatou Niskier. De acordo com ele, dos 18 aos 24 anos, somente 3% dos jovens chegam hoje às universidades.

A procura por profissionais de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil, segundo Paulo Alcântara Gomes, presidente da Rede de Tecnologia do RJ e do Conselho estadual de Ciência e Tecnologia, cresce em média 6,5% ao ano. Mas o total de formandos com esta qualificação avança apenas 4% no mesmo período.

– Precisamos fazer algo para mudar esta realidade. As faculdades precisam estar mais preparadas – afirmou.

Professor como gestor de aprendizado e mesas redondas

O grande desafio das universidades, atualmente, é fazer com que o conteúdo ensinado em sala sirva de fato para o mercado de trabalho. Com grades curriculares tradicionais e obsoletas, as instituições de ensino brasileiras não conseguem sequer suprir a demanda de formação exigida pelo mercado de trabalho. Por outro lado, empresas estão correndo para ensinar elas mesmas as funções de seus funcionários.

O presidente da Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro e do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, Paulo Alcântara Gomes, aposta em um novo modelo de universidade. Para ele, o atual perfil de trabalhador precisa ser acostumado com um cotidiano altamente tecnológico e mutante.

– Mas não adianta a estrutura universitária permanecer nos modelos arcaicos – disse Alcântara. Para ele, é necessário que se pareça com uma empresa. – O processo pedagógico, com informação unidirecional, de professor para o aluno, deve dar lugar ao ensino participativo.

Ele defende faculdades com mesas redondas. O professor toma a forma de um gestor de aprendizado, que dá o caminho para a busca pelas informações. Os alunos terão computadores individuais.

A necessidade de se atualizar, mais importante do que nunca, faz com que empresas tenham o objetivo de oferecer conhecimento aos trabalhadores. Cursos profissionalizantes, graduação, mestrado e doutorado são oferecidos.

– Esta não é uma prática ruim. Aos poucos as empresas vão se adequando mais as realidades do país – completou Alcântara.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br

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