QUEDA NO DESEMPENHO DA INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MOSTRA DESESTÍMULO AO INVESTIMENTO PRODUTIVO
O faturamento da indústria de máquinas e equipamentos sofreu queda de 2,6% no primeiro semestre deste ano, quando totalizou R$ 26,1 bilhões, contra o mesmo período do ano passado, que foi de R$ 26,8 bilhões
O consumo aparente desses
bens de capital, que não consideram os veículos de transporte e tratores
agrícolas, também registrou queda de 0,6% no período, ao passar de R$ 26,6
bilhões (2005) para R$ 26,5 bilhões (2006).
Segundo o presidente da
Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton
de Mello, a queda do consumo de máquinas no País, que representa a produção
mais a importação, descontada a exportação, é um reflexo claro da falta de
estímulo ao investimento produtivo no Brasil. “O investimento na produção
nacional, seja ela industrial ou agrícola, está desestimulada pela forte
apreciação do real. O dólar abaixo de 2,6 reais reduz a competitividade do
produto brasileiro nos mercados externo e doméstico. Outro agravante: não se
compra máquinas, porque fica mais barato comprar o produto final do que
produzi-lo no mercado local”, adverte.
A despeito da questão
cambial, as exportações do setor continuam em crescimento: 9,7% susperiores no
primeiro semestre de 2006, ao totalizar US$ 4,5 bilhões, contra o mesmo período
de 2005, da ordem de US$ 4,11 bilhões.
Na avaliação de Mello, as
exportações crescem porque, primeiramente, os empresários do setor não querem
perder espaços duramente conquistados. “É muito difícil abrir os mercados no
exterior para máquinas. É preciso investir muito em viagens, remessas de
equipamentos para demonstração, participação em feiras, conquista de um
distribuidor ou representante, que se responsabilizem por aspectos
fundamentais, como instalação e assistência técnica. Outro aspecto importante é
que, a despeito da falta de lucratividade e até de prejuízos, abrir mão desses
mercados para algumas empresas fortemente exportadoras significa expressiva
redução da escala de produção, o que pode gerar prejuízos ainda muito
significativos”, explica.
De acordo com os indicadores
econômicos da Abimaq, as importações do Brasil de máquinas e equipamentos (bens
de capital excetuando-se veículos de transporte e tratores agrícolas) também
mantêm o crescimento: 15,4%, ao passarem de US$ 4,03 bilhões para US$ 4,66
bilhões.
Para Newton de Mello, como o
consumo de máquinas não cresceu, pelo contrário, declinou como indicam os dados
acima, a conclusão é que houve uma certa substituição de máquinas nacionais por
importadas. “Essa elevação, porém, está concentrada em máquinas originárias da
China (+ 116%), Hong Kong (+60%) e Coréia do Sul (+46%). Isso demonstra que os
equipamentos brasileiros perdem espaço no mercado interno para produtos de
baixa evolução tecnológica e baixo preço, principalmente chineses. Esses dados
desmentem a falsa tese de que a indústria brasileira está aproveitando a baixa
cotação do dólar para investir em máquinas modernas e sofisticadas e assim
aumentar sua produtividade. Tal fenômeno não está acontecendo”, assinala.
Os indicadores econômicos da Abimaq do primeiro semestre de 2006 comprovam
previsão da entidade feita há mais de um ano, de que a apreciação do real
promove a desindustrialização, crise agrícola, desemprego e estagnação
econômica. “Agora é hora, ainda que tardia, de o governo reverter o processo
por meio de medidas práticas que reconduzam o câmbio para posições acima de
2,60 reais”, conclui.
Fonte: www.portalmoveleiro.com.br - 24/07/2006








