Recipientes biodegradáveis entram em fase de teste em Minas
Empresas de bionegócios do Triângulo Mineiro e Universidade Federal de Uberlândia desenvolvem recipientes biodegradáveis, a partir de resíduos celulósicos
Materiais biodegradáveis, feitos a partir de resíduos naturais diversos, são a
meta de pesquisadores, empresas, universidades e institutos de pesquisa de todo
o mundo. É a corrida pelas chamadas ‘tecnologias verdes’, que procuram mitigar
os impactos causados pelas atividades humanas ao planeta, bem como, garantir o
futuro sustentável das futuras gerações.
No Triângulo Mineiro, projeto
desenvolvido em parceria por três empresas de bionegócios – Viveiro Flora Brasil
e Lótus Soluções Ambientais, de Araguari, e Floema Nutrição Vegetal, de
Patrocínio, e Universidade Federal de Uberlândia (UFU) objetiva lançar no
mercado recipientes biodegradáveis, feitos a partir de materiais celulósicos,
até o final de 2009. O bagaço de cana, farto na região, é o primeiro resíduo
pesquisado.
Até o momento, o trabalho passou por quatro fases: produção
de plástico, a partir da celulose do bagaço da cana; ensaios da resistência
desse plástico; testes de outros materiais como fonte de celulose; e produção do
recipiente para mudas de plantas, sacolas de supermercado e copos descartáveis.
“Nosso produto ainda não tem nome, nem marca, e já desperta muito
interesse do mercado e da imprensa. Nos próximos meses, estamos entrando na fase
de testes de campo,", revela José Rafael da Silva, sócio-diretor do Viveiro
Flora Brasil, de Araguari.
Recipientes biodegradáveis para mudas de
plantas deverão ser os primeiros produtos a serem lançados no mercado pelas três
empresas. “Estamos desenvolvendo biotecnologia 100% triangulina”, brinca Rafael.
O período de degradação ou decomposição do produto varia entre dois meses a um
ano. O recipiente será ‘plantado’ junto com a muda no solo e se transformará em
composto orgânico, explica ele.
Antes e depois do APL
A
idéia de desenvolver biotecnologia para produzir material biodegradável, a
partir de resíduos naturais, se transformou em projeto em 1996, segundo o
empresário e agrônomo. Rafael conta que as três empresas de bionegócios
começaram as pesquisas com recursos próprios. Procuraram outros parceiros e
apoio financeiro, mas não encontraram. “Naquela época, mercado e sociedade ainda
não davam a importância, que se dá hoje, à questão ambiental”, justifica.
Com a criação do Arranjo Produtivo Local de Biotecnologia do Triângulo
Mineiro e Vale do Paraníba, em 2003, do qual as três empresas são integrantes, o
projeto passou a participar das ações promovidas pelas instituições apoiadoras
do pólo.
“A gente conseguiu o desenvolvimento do trabalho graças ao
APL”, afirma Rafael. O Sebrae, enquanto instituição organizadora do arranjo, e a
Universidade Federal de Uberlândia são importantes apoiadores do projeto das
três empresas, segundo ele. “Temos consultorias nas áreas de projeto, gestão de
custos, entre outras, patrocinadas em parte pelo Sebrae”, informa o
empresário.
Os testes de campo do primeiro produto, oriundo da
biotecnologia ‘triangulina’, serão feitos com plantas de um mês a um ano de
vida. Depois da aprovação, a próxima etapa do projeto será a montagem da
fábrica, quando empresários vão pesquisar maquinário e equipamentos existentes
no mercado para viabilizar a bioprodução. “Em meados de 2009, acreditamos que
teremos condição de começar a produzir”, prevê Rafael.
Materiais
celulósicos
Bagaço de cana é material abundante no País, pois há
usinas de álcool e açúcar em muitas regiões. O empresário cita que existem,
atualmente, cerca de 300 pedidos de autorização para instalação de novas usinas,
aguardando decisão dos órgãos competentes.
“Em 2014, entra em vigor
norma que proibirá a queima de resíduos das plantações de cana em todo o
território nacional”, ressalta. Ou seja, folhas da cana também se transformarão
em resíduos de valor para a biotecnologia.
Outros materiais celulósicos,
como folhas de árvores podadas em parques e jardins, também poderão ser boas
matérias-primas para a produção de recipientes biodegradáveis, segundo Rafael.
“Elas passarão a ocupar lugar mais nobre do que ocupam, hoje em dia”, argumenta.
“Vai ser um ganho fenomenal para o meio ambiente. Imagina, você vai
beber um cafezinho e não descartará mais o copinho no lixo. Esse copinho vai se
transformar em adubo nos vasos, jardins, etc”, exemplifica.
O mesmo
poderá acontecer com sacolas de supermercado, diz ele. A biotecnologia
desenvolvida pelas três empresas e a Universidade Federal de Uberlândia será
patenteada e poderá ser aplicada em qualquer material celulósico, de acordo com
o empresário do Triângulo Mineiro.
Fonte: Vanessa Brito <http://asn.interjornal.com.br> 18/07/2008








