Segurança em TI deixou de ser bicho de sete cabeças
Há pouco tempo, a mídia brasileira divulgou com destaque um roubo de equipamentos ocorrido em uma empresa nacional. Apesar das iniciais suspeitas de espionagem industrial, ficou comprovado tratar-se, de fato, de roubo sem intenções de espionagem mas apenas dos ativos. Esse incidente serviu para abrir os olhos de muitas empresas sobre a necessidade de ampliar a segurança de suas informações.
A força de trabalho está se tornando cada vez mais móvel. Essa
mobilidade permite um nível maior de colaboração, que gera ganhos de
produtividade e competitividade para as empresas, e atende a uma
demanda dos próprios clientes. Assim, à medida que a força de trabalho
passa a requerer soluções que a acompanhe em ambientes cada vez mais
desafiadores, cresce a necessidade de ampliar a segurança e
confidencialidade dos dados, já que de nada valerão os ganhos se dados
importantes e/ou confidenciais forem expostos inadvertidamente podendo
gerar perdas incalculáveis.
Cresceram, nos últimos anos, os
investimentos das empresas em equipamentos cada vez mais resistentes,
capazes de eliminar possíveis perdas de produtividade e de dados
importantes. Os departamentos de TI criaram estruturas de backup para
proteger os dados dos usuários e os fabricantes investiram em testes de
impacto, vibração, descargas elétricas e outros para tornar os
equipamentos mais robustos. Alguns desses testes, inclusive, foram
baseados em especificações militares para testes de resistência de
produtos, classificados como semi-rugged ou full-rugged.
É
preciso lembrar, porém, que casos como o citado no início do texto são
tão comuns quanto a perda de dados por danos nos equipamentos. Segundo
o Ponemon Institute, no mundo, a cada ano, milhões de notebooks
desaparecem ou são roubados e apenas um em vinte é recuperado. Em torno
de 80% das empresas relatam a perda de um ou mais portáteis, por ano,
contendo informações sigilosas. Segundo o FBI, nos Estados Unidos, um
notebook é roubado a cada 53 segundos e 97% deles nunca são recuperados.
Essas
ocorrências geram às companhias uma série de custos e preocupações.
Alguns são mais fáceis de serem medidos, como custos diretos, de
notificação e de perda de produtividade, por exemplo. Outros, no
entanto, são bastante difíceis de serem mensurados e podem causar
impactos severos nas finanças empresariais, tais como multas
potenciais, perda de clientes, ações na justiça, redução no valor de
mercado da companhia, entre outros. Em 2006, por exemplo, a Federal
Trade Comission emitiu uma multa no valor de US$15 milhões quando um
corretor de dados de consumidores, em Atlanta, perdeu mais de 163.000
registros pessoais.
Felizmente, já é possível implementar uma
série de medidas de segurança que evitam esses acontecimentos. A
integração de recursos de segurança e criptografia garantem
tranqüilidade para a empresa. Hoje também já é possível identificar se
o equipamento utilizado, bem como o usuário, estão realmente
autorizados a acessar as informações. Novos mecanismos de localização
de equipamentos estão disponíveis em mercados mais maduros e, em breve,
devem ser disponibilizados também no Brasil, juntamente com estratégias
que diminuem o risco de roubo dessas máquinas.
Uma estratégia
completa de segurança deve incluir mecanismos de proteção e prevenção.
Os primeiros têm implementação mais simples e são muito efetivos. Um
exemplo é a inclusão de etiquetas de ativo nos equipamentos para
identificá-los como propriedade da empresa; outra proposta é a
implantação de mecanismos que garantam a retirada de máquinas portáteis
somente por pessoas autorizadas, seja por meio de políticas de
identificação ou, simplesmente, fornecendo travas para que os usuários
prendam os equipamentos a suas mesas.
É possível também ir
além desses mecanismos de prevenção e trabalhar com mecanismos de
recuperação. Existem, no mercado, algumas opções bastante
interessantes, com destaque para duas delas: etiquetas de identificação
e softwares de rastreamento. As etiquetas permitem que um equipamento
roubado possa ser devolvido ao proprietário por qualquer pessoa que o
encontre; algumas empresas, inclusive, já fornecem esse tipo de
solução, colando as etiquetas de maneira que elas não possam ser
retiradas da máquina. Os resultados são muito bons: essa ação atinge
taxas de recuperação bem acima dos 3%-5% de média do mercado. Já os
softwares de rastreamento alertam o usuário a cada vez que o
equipamento é conectado à internet, possibilitando o rastreamento do
local onde a máquina encontra-se em uso no momento. As empresas que
fornecem esse serviço cuidam de todos os trâmites jurídicos para
recuperação do equipamento; é um serviço bastante eficiente na
recuperação de ativos, capaz, inclusive, de apagar, remotamente, os
dados da máquina.
A proteção de dados envolve também políticas
de TI e segurança que devem ser cumpridas pelos usuários. O ideal é
trabalhar com múltiplos fatores de autenticação: algo que a pessoa
sabe, algo que ela possui e algo que ela é - a senha, sozinha, é uma
ferramenta muito frágil e fácil de ser compartilhada. Ampliar a
autenticação para que o usuário utilize dispositivos como SmartCards ou
leitores biométricos, como impressões digitais, é uma excelente
alternativa. Quando os fatores de autenticação são ampliados, torna-se
mais fácil verificar se um usuário tem ou não permissão para acessar
determinado equipamento. Além disso, é possível realizar a autenticação
da máquina por meio de módulos de plataforma segura (TPM 1.2), o qual,
somado à autenticação do usuário, torna muito difícil o acesso à rede
ou ativos da empresa para quem não está autorizado.
A proteção
dos dados em si envolve soluções de criptografia. Por meio de
ferramentas de software, é possível implementar, em conjunto com os
módulos de plataforma segura, soluções de criptografia bastante
resistentes. Recentemente foram lançados discos rígidos totalmente
criptografados, que eliminam a necessidade de utilização de software e
aumentam a performance.
É muito importante que as empresas
avaliem qual a real necessidade de ampliar a segurança de suas
informações e ativos. Quando tomarem a decisão de investir em
melhorias, não devem esquecer de procurar soluções que possam crescer
com o negócio, de maneira adequada à cultura da organização. A
segurança das informações não deve ser um fator limitante ao aumento da
mobilidade e produtividade da força de trabalho, já é possível
implementar soluções que tornam extremamente confiável o acesso a
informações confidenciais sem prejudicar a portabilidade das máquinas.
Prevenção e proteção são palavras-chave para quem deseja estar
tranqüilo quanto à segurança de suas informações.
Fonte: Ricardo Shiroma - Gerente de Produto de notebooks e workstations da Dell Brasil








