Setor de máquinas quer socorro para sobreviver à crise
O setor de máquinas e equipamentos – um dos mais atingidos pela crise econômica mundial – quer ajuda do governo para liderar o processo de recuperação da economia brasileira.
A pequena reação já ensaiada na indústria como um todo ainda não chegou aos produtores, que dependem das encomendas dos próprios industriais para sobreviver. Para o relator da comissão especial da Câmara dos Deputados sobre os efeitos da crise na indústria, deputado Pedro Eugênio (PT-PE), é preciso estabelecer medidas que ajudem o setor diretamente.
O setor de bens de capital está entre os que apresentaram pior desempenho em abril, de acordo com os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na última semana, seguido por representantes da indústria de base como o de Madeira e de Siderurgia.
O faturamento do setor de máquinas e equipamentos caiu, em abril, 16,1% na comparação com março deste ano e 27% em relação a abril de 2008. No ano, a queda atingiu 19,7% em relação ao primeiro quadrimestre de 2008.
Demandas
A demanda por medidas foi apresentada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) em audiência pública da comissão. O assessor da presidência da entidade, Mário Bernardini, explicou que a ação não deve se limitar à desoneração do maquinário. “Ninguém compra máquina porque está barata, mas porque precisa”, disse ao se referir aos industriais.
Este fator seria uma diferença em relação às medidas adotadas para o segmento automobilístico e o de eletrodomésticos, que tiveram o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido e cujos frutos puxam a recuperação da indústria.
Uma saída mais proveitosa seria, na avaliação da entidade, incentivar a modernização do parque industrial brasileiro, com condições especiais no tratamento tributário, fiscal e principalmente, de financiamento para a troca de máquinas.
O relator da comissão sobre a crise na indústria concorda. “Com a chegada da crise, alguns setores adiaram projetos de investimentos. Mas é possível adiantar estes investimentos”, avalia Pedro Eugênio. Além de expandir os prazos de financiamento, ele ainda aposta na desoneração e consequente redução dos preços destes produtos para ativar o setor.
Investimentos
Sobre a capacidade de investimentos mesmo em tempos de crise e incertezas, o deputado acredita que há espaço para que a indústria invista em novos equipamentos se incentivada. “Alguns adiaram os investimentos, mas a carteira do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tem crescido o que mostra que não estão recuando nos projetos de ampliação”, disse.
A associação tenta emplacar a proposta em diálogos com o governo. Segundo Berdinardi, há conversas com o BNDES e com o Ministério da Fazenda. As centrais sindicais, preocupadas com a queda no emprego no setor, apoia a iniciativa, afirma o assessor.
Medidas de apoio
A necessidade de partir para ações mais estruturantes do que emergenciais é uma defesa de representantes da indústria. O deputado petista pretende abordar o assunto em seu relatório. “Há demandas do setor produtivo que são impossíveis atender sem realizar mudanças estruturantes como a Reforma Tributária”, afirmou.
O relatório também pretende apontar medidas de apoio às pequenas e médias empresas. Para o relator, este setor também tem enfrentado dificuldade para enfrentar a crise, especialmente na obtenção de crédito. “As pequenas e médias empresas são clientes de pequenos e médios bancos, também fortemente afetados pela crise”, explicou. Estuda-se a criação de um fundo garantidor que diminua a desconfiança dos bancos para que voltem a ofertar créditos.
A previsão do deputado Pedro Eugênio é de que o relatório final da comissão seja votado ainda em junho. Nos próximos dias, ele pretende apresentar um texto prévio com propostas voltadas para o enfretamento da crise pela indústria.
Fonte: Portal Madeira Total








