Simplicidade para fidelizar
Especialistas falam sobre a importância da qualidade do atendimento no processo de fidelização dos clientes.
De que forma a tecnologia pode ajudar uma empresa a se relacionar
melhor com seus clientes? Convidados a responder esta pergunta, três
especialistas foram unânimes na opinião de que o SAC (serviço de
atendimento ao consumidor), seja via telefone ou e-mail, é a forma mais
fácil e barata de fidelizar consumidores.
A professora Miriam
Bretzke, da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) e da Bretzke Marketing de
Relacionamento, abriu o 4º Fórum CRM (Customer Relationship Management)
da FGV, na última quarta (21/03), apresentando dados que revelam a
visão errônea que as empresas têm do cliente. Numa pesquisa promovida
pelo site CRMguru.com, metade das empresas consultadas respondeu que o
preço baixo é o melhor caminho para fisgar consumidores. Já para estes,
é o bom atendimento que importa: sete entre dez citaram a atenção no
primeiro contato e a resposta rápida e cortês às suas dúvidas e queixas
como fator primordial. Para as empresas, este mesmo fator conta apenas
20%.
A partir desse cenário, é fácil supor que a tecnologia usada
no atendimento também não tem correspondido às expectativas. “As
empresas reclamam que custa caro treinar a mão-de-obra de
telemarketing. De fato, é um custo alto, ainda mais se você pensar que
são postos de trabalho com altíssima rotatividade. O que elas não param
para pensar é que com um bom sistema de CRM, feito em cima de uma base
de dados vasta e de qualidade, os atendentes conseguem responder a
qualquer dúvida sem problema, é só digitar a palavra-chave no programa
e repetir o texto que aparecer na tela do computador”, explicou.
Bretzke também critica o mau uso dos formulários online e dos e-mails.
“Não tem custo nenhum, basta uma pessoa para responder e, mesmo assim,
não acontece. Cansa mais aguardar uma resposta de e-mail do que ficar
na linha ouvindo música de espera”, ironizou. Ela citou, entre outros
exemplos de boas iniciativas de CRM o programa Viva Peugeot, em que a
montadora enviava uma mensagem de e-mail para o cliente avisando que
estava chegando o período de revisão do veículo. “São maneiras simples
de encantar as pessoas, de surpreendê-las”.
Walfrido Brito, da
Business Indicators, salientou a importância de se racionalizar as
decisões de TI no que diz respeito a CRM. Para ele, o caminho a
percorrer antes de se chegar à equação de custos menores, mais
qualidade e maiores previsibilidade e produtividade depende de três
iniciativas: traduzir as estratégias da organização em parâmetros
mensuráveis, comunicar as metas de desempenho a todos os integrantes da
empresa e cobrar feedback de desempenho de ações estratégicas, táticas
e operacionais. “O que não pode ser medido, não pode ser gerenciado nem
melhorado. Mas nem tudo que pode ser medido tem valor. Um amontoado de
dados não significa informação relevante”, afirmou.
Nelson Lerner
Barth, da FGV, discorreu sobre a URA (Unidade de Resposta Automática)
que, ao lado de call centers, caixas eletrônicos de bancos e serviços
online, é uma forma de aliar tecnologia à relação com o cliente. “O
senso comum é de que as empresas colocam o atendimento telefônico
automático só para economizar e para dificultar as nossas vidas”,
disse, apontando alternativas simples e eficazes para o melhor uso da
URA. “Se vc diz ‘disque um para extrato, dois para empréstimo’, quando
chegar no dez o cliente já esqueceu tudo. Por que, então, não dizer ‘se
você quer extrato, digite um’. Pronto. A pessoa só vai guardar o número
referente ao serviço que interessa. É assim que o cérebro funciona e as
empresas não conseguem enxergar”. Outra boa alternativa, disse, seria
ter uma base de dados que apontasse se é a primeira vez que a pessoa
acessa o serviço e, portanto, precisa de explicações mais detalhadas,
ou se já o utilizou anteriormente e o atendimento pode ser mais direto
e ágil. “As possibilidades são inúmeras e uma decisão simples pode ser
o diferencial frente à concorrência”, finalizou.
Fonte: Cláudia Boscoli <http://cio.uol.com.br/estrategias/2007/03/22/idgnoticia.2007-03-22.1981536134/IDGNoticia_view/> 30/03/2007








