Sistemas de Colheita e Transporte de Madeira: Como Absorver Novas Tecnologias
Mário Eugênio Lobato Winter
Superintendente Geral da Vallourec & Mannesmann Florestal]
Tornava-se difícil, há vinte anos, definirmos os rumos que poderíamos
tomar na operação de colheita e transporte de madeira. Observávamos uma
constante evolução dos sistemas mecanizados, tanto na Escandinávia,
como na América do Norte.
Porém, a distância tecnológica em que se encontrava o setor florestal
brasileiro, a dispersão das empresas e dos profissionais envolvidos nos
seus desafios internos em suas respectivas empresas, e mais as imensas
barreiras que se impunham à economia nacional - na altíssima burocracia
para importações de equipamentos, com a alta política protecionista à
indústria nacional, que mesmo não atendendo às necessidades do setor,
era beneficiada por sobretaxas para as importações de equipamentos,
inviabilizando, assim, a entrada desses bens no país, aliado à tudo
isto, a volatilização da economia nacional, com altíssima taxa de
inflação e elevada valorização da moeda norte-americana, tornava-se um
obstáculo intransponível para acesso das tecnologias mais avançadas.
Com raros desenvolvimentos e a criatividade do povo brasileiro, demos
os primeiros passos com adaptações, tendo como base máquinas agrícolas
e de construção civil de fabricação nacional. Estas primeiras
iniciativas, apesar de bem-vindas, demonstraram a imensa diferença que
tínhamos na área de mecanização, comparando-se com a tecnologia
disponível nos países do chamado primeiro mundo, encorajando alguns
poucos e criando uma imagem mais negativista aos demais.
Com a formação do primeiro grupo cooperativo pelo IPEF, o PC MEC,
Programa Cooperativo de Mecanização, formamos um consenso para
direcionamento de intenções no setor. A presença das principais
empresas florestais do país na época, que se encontravam em reuniões
itinerantes de trabalho, cada vez em uma determinada empresa, com
avaliação dos trabalhos desenvolvidos por esta e, com o envolvimento
dos principais fornecedores de equipamentos, propiciou, aos
fabricantes, alinhar seus projetos com a real necessidade e a demanda
do setor. Foram estes os primeiros passos da mecanização no setor
florestal brasileiro.
Passados vinte anos, podemos afirmar que andamos muito, mas há ainda um
grande e longo caminho pela frente. Processos mecanizados de colheita e
transporte já não representam entraves ao processo produtivo, e podemos
afirmar que a base da mecanização já está consolidada no país.
As constantes evoluções dos equipamentos, cada vez mais rápidas,
apontam-nos para uma necessidade também constante de adequação dos
nossos sistemas de colheita e transporte de madeira.
Já aprendemos que, assim como não há sistemas plásticos - aqueles que
servem para qualquer tipo de situação encontrada nos sites florestais,
também não há sistema definitivo. Devemos atualizar, constantemente,
nossos conhecimentos sobre os novos lançamentos e avaliar a real
adequação dos novos conceitos e o momento certo de aplicá-los.
A pergunta a ser respondida é: Como enfrentarmos essa nova fase? A
resposta, aparentemente óbvia, torna-se uma nova barreira para muitos,
assim como há 20 anos, o medo do desconhecido e a necessidade de
mudança conflitaram-se. Porém, diferentemente do que ocorreu no
passado, devido à nossa experiência com mecanização, a gama de
oportunidades e de possibilidades de redução de custos operacionais,
contagia-nos.
Necessitamos, neste momento, além da capacidade de definição do projeto
certo, entendermos que a grande chave para a entrada nesta nova fase
continua sendo a mesma que foi usada no passado: a grande capacidade
desenvolvida pelo setor florestal brasileiro de se unir e formar,
novamente, um direcionamento, permitindo aos fornecedores de
equipamentos definir melhor suas ações na introdução das novas
tecnologias.
Hoje, é inegável, analisando a operação florestal em diferentes partes
do mundo, que o grande diferencial brasileiro está na grande e
motivadora capacidade das equipes florestais de retirar o máximo
rendimento dos equipamentos em suas operações.
Capacidade esta, desenvolvida pelo planejamento prévio das atividades e
pela formação de equipes de operadores e apoio mecânico extremamente
eficientes, que levam os equipamentos a elevados índices de
disponibilidade operacional.
A nova tecnologia embarcada nos equipamentos não é mais um obstáculo à
operação nas atividades florestais brasileiras, pois o elevado grau de
adaptabilidade dos operadores atinge índices semelhantes aos dos países
mais desenvolvidos. Novos recursos permitem-nos, agora, obter dados
on-line das operações, criando uma base confiável de informações, que
podem gerar mudanças nos processos operacionais, incrementando os
rendimentos das atividades.
Aparece aí a figura do analista e planejador, o qual, apesar de não
trabalhar diretamente na cabine da máquina, será peça fundamental para
a interpretação dos dados e definição das grandes mudanças dos sistemas
de operação. Será como termos uma central de inteligência trabalhando o
futuro da operação, antevendo os problemas e desenvolvendo soluções
para mitigá-los.
Todas estas alternativas levam-nos a um novo ciclo de desenvolvimento,
após o da consolidação da mecanização na atividade florestal. Assim,
entramos no ciclo do refinamento da operação, do ajuste fino, onde
novas e grandes oportunidades abrir-se-ão. Estamos, porém, muito melhor
preparados para essa nova fase, pois a base da cultura da mecanização
no país já está consolidada.
Mais uma vez, a peça fundamental do processo mecanizado passa a ser o
pessoal operacional. Capacidade de definição de perfis psicológicos, de
treinamento e capacitação, de motivação e de formação de equipes serão
fundamentais na consolidação dos objetivos traçados.
Ao validarmos estas premissas, estaremos aptos a internar novas
tecnologias, cada vez mais sofisticadas, mas não, necessariamente, mais
complicadas, com maior capacidade de geração de resultados.
Fonte: Revista Opiniões / Portal Colheita da Madeira








